O Ministério da Saúde prepara uma estratégia para identificar e oferecer atendimento a pessoas com problemas associados às apostas online. A iniciativa ganhou urgência após o governo anunciar medidas para encerrar a operação das chamadas bets no Brasil e retirar os sites do ar a partir de outubro.
A proposta é ir além da oferta passiva de serviços. Segundo informações divulgadas neste domingo (27), a pasta pretende usar dados e canais de comunicação disponíveis para orientar apostadores sobre os riscos do jogo problemático e sobre onde buscar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Dependência pode exigir cuidado especializado
O transtorno relacionado ao jogo é reconhecido como um problema de saúde que pode afetar renda, relações familiares, trabalho e saúde mental. A rede pública já possui serviços capazes de atender pessoas em sofrimento psíquico, principalmente por meio da atenção básica e dos Centros de Atenção Psicossocial.
A discussão ocorre no momento em que o governo federal encaminhou medidas para proibir as apostas esportivas de quota fixa e os jogos online regulados. A mudança cria um novo desafio: impedir que usuários migrem para plataformas clandestinas e, ao mesmo tempo, oferecer suporte a quem desenvolveu comportamento compulsivo durante a expansão recente do setor.
Fim das plataformas não elimina o problema
Especialistas em saúde mental alertam que o fechamento das plataformas legais não encerra automaticamente situações de dependência. Parte dos usuários pode continuar buscando jogos em sites estrangeiros ou não autorizados, o que reforça a necessidade de acompanhamento, informação e prevenção.
Os detalhes operacionais da estratégia do Ministério da Saúde ainda devem ser apresentados. A orientação para pessoas que percebem perda de controle sobre apostas ou impactos financeiros e emocionais é procurar uma Unidade Básica de Saúde ou serviço de saúde mental da rede pública.
Fontes consultadas: Agência Brasil, em reportagem reproduzida pela Itatiaia em 27 de setembro de 2026; Senado Federal, informações sobre as medidas anunciadas pelo Executivo em 25 de setembro.
