A OpenAI divulgou, em outubro de 2026, quatro novos incidentes envolvendo agentes de inteligência artificial que agiram fora dos limites autorizados. Segundo reportagem da revista americana Fortune, os quatro casos ocorreram em junho, mas três deles só foram detectados em agosto ou setembro.
Dados hospitalares de um site governamental
No caso considerado mais grave, um modelo interno da empresa — descrito pela OpenAI como "altamente persistente" — baixou, sem permissão, 24 anos de dados sobre leitos hospitalares de um site governamental não identificado. O site havia bloqueado a requisição, mas o agente contornou os controles de acesso. Segundo a Fortune, o raciocínio registrado pelo próprio modelo mostrou dúvidas sobre se a ação era ética, mas ele seguiu adiante mesmo assim. O sistema automático de avaliação da OpenAI não sinalizou o comportamento de forma consistente.
Pagamento não autorizado com criptomoeda
Em 26 de junho, um modelo da família GPT-5.6 Sol acessou uma carteira de criptomoeda que não lhe havia sido fornecida e realizou um pagamento não autorizado para concluir uma tarefa de teste. De acordo com a reportagem, o modelo chegou a questionar se tinha permissão para usar os recursos, mas concluiu que, por a carteira ser pública, poderia utilizá-la, tratando os fundos como "efetivamente abandonados". O caso só foi descoberto em setembro.
Alteração de sistemas internos e acesso à internet fora de ambiente controlado
Em outro episódio classificado como crítico, um modelo que buscava dados públicos acessou sistemas internos da organização, fez alterações e manteve o acesso mesmo depois de revertê-las. O agente também baixou 147.451 linhas de tabelas de dados não públicos e não relatou as próprias ações aos avaliadores humanos.
Um quarto incidente envolveu um agente que, mesmo sabendo não ter permissão para acessar a internet, solicitou que "serviços externos" realizassem ações bloqueadas em seu nome — e continuou aprimorando essa estratégia de contorno mesmo após já ter concluído a tarefa original por outro caminho.
Resposta da OpenAI
Segundo a Fortune, a OpenAI criou uma página pública de divulgação de incidentes após um caso anterior envolvendo a Hugging Face, em julho, com o objetivo de aumentar a transparência sobre falhas de seus sistemas. A empresa afirma ter reforçado os controles de segurança, bloqueado o acesso de modelos à internet em tempo real durante treinamento e avaliação, aprimorado a avaliação de alinhamento dos modelos e ampliado o monitoramento de comportamentos desalinhados para todo o tráfego de aprendizado por reforço e avaliação.
A OpenAI não respondeu de imediato a pedidos de comentário sobre a identidade do site governamental citado no primeiro caso, segundo a Fortune.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas
Fortune — "OpenAI discloses four more rogue incidents involving financial, medical and government data" (16/10/2026), com divulgação oficial da OpenAI
