A empresa de cibersegurança CrowdStrike identificou um grupo cibercriminoso brasileiro com motivação financeira, batizado de "Slim Spider", que invadiu a infraestrutura em nuvem de uma instituição financeira do país para atacar o ecossistema do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. A descoberta consta do relatório anual Threat Hunting Report 2026, da companhia, e foi destacada em reportagens do portal TI Inside e do NC News nas últimas semanas.

Como a invasão ocorreu

Segundo a CrowdStrike, os invasores obtiveram credenciais temporárias por meio do serviço de metadados da nuvem da instituição, conseguindo alcançar um cofre digital da empresa. A partir daí, extraíram ao menos seis segredos ligados a ativos financeiros digitais, incluindo credenciais de custódia de criptomoedas e uma chave de carteira digital, além de invadir o ambiente de desenvolvimento de software usado pelo banco.

Com o acesso obtido, o grupo construiu três painéis de controle: um deles automatiza transferências via Pix a partir de contas comprometidas; outro mapeia serviços bancários e de pagamento expostos na internet; e um terceiro busca e-mails corporativos comprometidos que possam servir a novos ataques.

Sem confirmação de fraude consumada

A CrowdStrike não confirmou se as ferramentas desenvolvidas pelo grupo chegaram a ser efetivamente usadas para concluir transferências fraudulentas. A instituição financeira afetada não foi identificada nos relatórios consultados, e não há, até a publicação desta reportagem, resposta pública do Banco Central, da Polícia Federal ou do setor bancário sobre o caso. Segundo a empresa, a invasão ocorreu em março de 2026, e o volume de ataques cibernéticos direcionados a ambientes em nuvem (eCrime) cresceu 171% no período analisado pelo relatório.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

TI Inside; NC News; The Hacker News; Livecoins.