Falhas críticas de segurança na linguagem de programação PHP, usada havia mais de uma década sem que fossem detectadas, levaram a um apagão preventivo de sites governamentais em vários países europeus na quarta-feira (21). A descoberta, segundo a agência Reuters, contou com apoio de ferramentas de inteligência artificial e expôs um risco considerado grave: as vulnerabilidades permitiriam, em tese, a execução remota de código sem autenticação e, em alguns casos, o acesso a dados sensíveis na memória dos servidores.
Como a falha foi encontrada
De acordo com a Reuters, a empresa de segurança em nuvem Wiz, do grupo Alphabet, afirma ter identificado o problema combinando sua ferramenta autônoma Wiz Atlas com os modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI. A empresa diz que as falhas estavam ocultas por mais de dez anos. A consultoria Censys estimou que cerca de 1,5 milhão dos 2,6 milhões de servidores identificados com PHP ainda não tinham correção disponível até a divulgação. Segundo o W3Techs, o PHP é utilizado por aproximadamente 75% dos sites da internet cuja linguagem pode ser identificada.
Como medida de precaução, a Holanda tirou do ar sites como os da agência nacional de cibersegurança, do Porto de Roterdã, do portal Overheid.nl e da federação de futebol KNVB, além de sites dos cinco maiores partidos políticos e de hospitais. Dinamarca e Finlândia suspenderam serviços públicos digitais, incluindo uma plataforma nacional de comunicação escolar. França colocou todos os sites do Ministério do Interior em manutenção preventiva, e Alemanha, Espanha, Bélgica e Reino Unido também retiraram sites de órgãos públicos do ar. A Wikipédia e o Internet Archive desativaram temporariamente parte de sua infraestrutura para aplicar correções.
Corrida entre atacantes e administradores
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) alertou que a falha poderia dar a hackers acesso direto a sistemas de dados e bancos de dados. Tiffany Farriss, presidente interina da Drupal Association, disse à Reuters que "esse problema afeta a maior parte da internet". O primeiro-ministro do Japão, Sanae Takaichi, publicou nas redes sociais pedindo que administradores de sites verificassem se usavam PHP e se preparassem para instalar a correção.
Especialistas em segurança, como Lukasz Olejnik, do King's College London, afirmaram que campanhas de invasão com apoio de IA se multiplicaram nas últimas semanas, já que criminosos também usam ferramentas de inteligência artificial para fazer engenharia reversa das falhas divulgadas. Os desenvolvedores do PHP lançaram correções de urgência e recomendaram atualização imediata. A reportagem consultada não cita impacto confirmado em sites brasileiros.
Fontes consultadas
Poder360, "Sites de governos na Europa saem do ar após falha descoberta por IA" (poder360.com.br), com informações da Reuters
O Povo, "Falha de segurança revelada por IA provoca 'apagão' em sites ao redor do mundo" (opovo.com.br)
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
