O FBI e o Bureau of Industry and Security, órgão de fiscalização de exportações do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, denunciaram formalmente, em 2 de outubro de 2026, um empresário americano de 38 anos, dono de uma empresa de computadores na Califórnia, por suposto esquema de contrabando de processadores gráficos (GPUs) Nvidia H100 — chips de uso restrito à exportação por seu potencial em aplicações de inteligência artificial de ponta.
Segundo a denúncia, uma única ordem de compra citada no processo envolvia 27 servidores equipados com os chips controlados, parte de um conjunto de equipamentos avaliado em US$ 300 milhões sujeito a controles de exportação dos EUA.
Rota de desvio teria passado pela Malásia e Singapura
De acordo com as autoridades, o esquema consistia em enviar os servidores dos Estados Unidos para a Malásia e Singapura, onde documentação falsa teria sido usada para mascarar o destino final da carga, antes de seguirem para a China — país para o qual a exportação de chips de ponta da Nvidia é restrita por regras de segurança nacional dos EUA.
O empresário responde a três acusações: conspiração para violar controles de exportação, contrabando (outbound smuggling) e conspiração para lavagem de dinheiro. Caso seja condenado em todas as acusações, a pena pode ultrapassar 20 anos de prisão. A promotoria também pediu que ele seja mantido preso preventivamente, alegando risco de fuga.
Promotoria e Nvidia se manifestam
O promotor-assistente Bill Essayli declarou que o órgão "vai processar agressivamente aqueles que colocam em risco a segurança nacional do país em busca de lucro", em referência ao caso.
Em nota oficial sobre o tema — e não como comentário específico sobre o réu —, a Nvidia afirmou que "contrabando é uma aposta perdedora, do ponto de vista legal, econômico e técnico".
É importante destacar que se trata, até o momento, apenas de acusações formais apresentadas pela Justiça americana, sem que tenha havido julgamento ou condenação. A reportagem não localizou manifestação pública da defesa do acusado sobre o caso até a publicação desta matéria.
Contexto: controles de exportação e IA
Os chips Nvidia H100 estão entre os processadores mais avançados usados no treinamento de modelos de inteligência artificial e, desde 2022, seu envio para a China enfrenta restrições crescentes por parte do governo dos Estados Unidos, que cita preocupações de segurança nacional ligadas ao uso militar e estratégico dessa tecnologia. Casos de desvio de rota via países terceiros no Sudeste Asiático têm sido apontados por autoridades americanas como um dos principais métodos usados para contornar essas regras.
Fontes consultadas
Transport Topics (ttnews.com); Bloomberg; Northeast Times.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
