O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou, em 13 de outubro, ações coordenadas contra um esquema que usou identidades roubadas de cidadãos americanos para colocar trabalhadores remotos de tecnologia da informação da Coreia do Norte em empregos de pelo menos 70 empresas dos EUA, distribuídas por 17 estados e pelos setores de saúde, cibersegurança, varejo, telecomunicações e manufatura.

Como funcionavam as "fazendas de laptops"

Segundo o DOJ e o FBI, os computadores enviados pelas empresas contratantes para os supostos funcionários remotos eram, na realidade, recebidos e mantidos por intermediários nos próprios Estados Unidos, em imóveis conhecidos como "fazendas de laptops". De lá, os equipamentos eram acessados remotamente por operadores localizados na Coreia do Norte, que assim conseguiam atuar como se fossem os profissionais contratados, sem que as empresas percebessem a fraude. As autoridades americanas vasculharam mais de 40 dessas "fazendas de laptops" apenas no Texas — a maior operação do tipo já divulgada publicamente pelo governo dos EUA — e apreenderam mais de 180 computadores. Segundo o DOJ, o esquema teria movimentado cerca de US$ 3 milhões em recursos desviados.

Dimensão do problema, segundo autoridades e empresas de segurança

O FBI estima que milhares de trabalhadores de TI vinculados ao Estado norte-coreano estejam infiltrados em empresas ocidentais usando o mesmo tipo de esquema. Segundo dados da empresa de cibersegurança CrowdStrike citados na apuração, hackers ligados à Coreia do Norte estiveram por trás de cerca de metade das intrusões digitais conduzidas diretamente por operadores humanos — e não apenas por softwares automatizados — documentadas no último ano. As autoridades americanas também atribuem à Coreia do Norte o roubo de pelo menos US$ 2 bilhões em criptomoedas ao longo de 2025.

Contexto

Esquemas de infiltração de trabalhadores de TI norte-coreanos em empresas ocidentais já vinham sendo monitorados por agências de segurança nos últimos anos como uma das principais fontes de financiamento do regime de Pyongyang, driblando sanções internacionais. A ação anunciada nesta semana é descrita pelo DOJ como parte de um esforço contínuo de identificação e desarticulação dessas redes.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

TechCrunch — "Justice Department says North Koreans have infiltrated dozens of U.S. companies" (13/10/2026), com informações atribuídas a comunicados do Departamento de Justiça dos EUA, do FBI e a dados da empresa de cibersegurança CrowdStrike.