A Anthropic PBC, empresa de inteligência artificial criadora do assistente Claude, arquivou nesta semana o Formulário S-1 junto à Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, dando início ao processo de abertura de capital na Nasdaq Global Select Market, sob o ticker "ANT". O arquivamento foi confirmado pela própria empresa em comunicado publicado em 26 de outubro.
Segundo o documento, a receita da Anthropic no primeiro semestre de 2026 somou US$ 16,3 bilhões, frente a aproximadamente US$ 1,2 bilhão no mesmo período de 2025 — um crescimento superior a dez vezes. A empresa relatou também mais de 11.900 clientes com receita anual acima de US$ 100 mil, contra 950 um ano antes, além de uma taxa de retenção líquida de receita próxima de 900%, segundo dados do próprio S-1.
<h2>Prejuízo contábil é atribuído a variações de instrumentos financeiros</h2>
O documento aponta um prejuízo líquido contábil de US$ 80,7 bilhões no período, mas a própria empresa esclarece que cerca de US$ 72,4 bilhões desse valor decorrem de variações no valor justo de instrumentos financeiros — como acordos de investimento futuro (SAFEs) e notas conversíveis — associadas à valorização da empresa, e não representam perdas operacionais. O prejuízo operacional efetivo, segundo o S-1, foi de aproximadamente US$ 693 milhões.
A oferta pública inicial é coordenada por um consórcio de bancos que inclui Goldman Sachs, Morgan Stanley, J.P. Morgan e Citigroup, entre outras 17 instituições financeiras, segundo o documento arquivado na SEC. O capital total já captado pela companhia, somando rodadas anteriores, chega a US$ 141,1 bilhões.
<h2>Avaliação pode superar a da OpenAI</h2>
A avaliação privada mais recente da Anthropic, referente a uma rodada de maio de 2026, foi estimada em US$ 965 bilhões — acima dos US$ 852 bilhões atribuídos à concorrente OpenAI em março do mesmo ano. A própria OpenAI também pode arquivar um pedido confidencial de abertura de capital, segundo apurou a agência Reuters, embora não haja confirmação de uma oferta pública. O executivo-chefe da OpenAI, Sam Altman, disse que a empresa abrirá capital "quando fizer sentido", sem detalhar prazos.
No S-1, a Anthropic lista entre os riscos do negócio a concentração de receita em um número limitado de clientes, possíveis falhas de segurança ou uso indevido de seus modelos, comportamentos autônomos ou desalinhados de sistemas de inteligência artificial, e o custo crescente de infraestrutura computacional. A empresa afirma ainda que pretende destinar 5% de sua participação societária a um fundo de interesse público, sujeito à aprovação de acionistas, e descreve sua missão, no documento, como "garantir que o mundo faça a transição com segurança pela IA transformadora".
<h2>Fontes consultadas</h2>
Comunicado oficial da Anthropic; NPR; Bloomberg; TradingKey.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
