As ações da Alphabet, controladora do Google, caíram entre 11% e 13% no pregão de 29 de outubro — estimativas variam ligeiramente entre veículos financeiros, como CNBC e 24/7 Wall St. —, o pior desempenho diário da história da empresa na bolsa americana, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026 na noite anterior. A queda apagou cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado da companhia, segundo a Fortune.
O resultado, divulgado após o fechamento do mercado em 28 de outubro, mostrou receita e lucro abaixo do esperado por analistas, segundo a CNBC. Ao mesmo tempo, a receita da divisão de computação em nuvem, Google Cloud, quase dobrou, com crescimento de 103% na comparação anual, para algo entre US$ 30,7 bilhões e US$ 31 bilhões, levando o grupo a superar a marca de US$ 500 bilhões em receita anualizada ("run rate"), de acordo com a Fortune e a CNBC.
Caixa negativo e investimento recorde em infraestrutura
O fluxo de caixa livre da Alphabet ficou negativo em cerca de US$ 9,1 bilhões no trimestre, puxado pelo investimento pesado em infraestrutura de inteligência artificial — data centers, chips e capacidade de processamento. Os gastos de capital ("capex") somaram US$ 51,4 bilhões apenas no trimestre; a empresa manteve a previsão de capex de cerca de US$ 180 bilhões para o ano de 2026 e sinalizou, segundo a Fortune, aumento "significativo" desse valor em 2027.
Parte de um movimento mais amplo entre as big techs
A reação do mercado à Alphabet ocorreu na mesma semana em que a Amazon também divulgou balanço do terceiro trimestre, com a receita da nuvem (AWS) crescendo cerca de 39% na comparação anual — a maior aceleração em vários trimestres —, mas lucro por ação abaixo do esperado pelos analistas, segundo a Forbes; as ações da Amazon caíram cerca de 3% na sessão seguinte, de acordo com o 24/7 Wall St. Segundo os dois veículos, o conjunto dos resultados da semana intensificou o debate no mercado financeiro sobre se os investimentos bilionários das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de IA configuram uma bolha especulativa — um debate que, até a publicação desta reportagem, segue sem conclusão entre analistas e investidores.
Fontes consultadas
CNBC; Fortune; 24/7 Wall St.; Forbes.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
