Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, em conversas reservadas, que o pedido de anulação do resultado do 2º turno anunciado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) tem chance mínima de ser aceito pela Justiça Eleitoral. Paralelamente, o TSE classificou como falsa a acusação de que fiscais do partido de Flávio teriam sido impedidos de acompanhar a apuração dentro da sala-cofre do tribunal, na noite de domingo (25/10), quando o resultado foi proclamado.

O que aconteceu

Segundo apuração do Estadão e do g1, o resultado oficial do 2º turno deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 64,2 milhões de votos (51,79%), contra 59,8 milhões (48,21%) de Flávio Bolsonaro — diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, proclamou o resultado na noite de domingo e afirmou ter "plena confiança" na segurança do processo eleitoral.

Ainda na noite da apuração, o TSE emitiu nota negando que fiscais do PL tivessem sido retirados ou impedidos de acessar a sala-cofre do tribunal. Segundo a corte, o ambiente não é aberto a visitas de fiscais de nenhum partido; dois representantes do PL, no entanto, acompanharam o teste de integridade das urnas, a totalização dos votos e visitaram a Sala dos Partidos, espaço destinado ao acompanhamento das legendas durante a apuração.

A base da contestação

A contestação de Flávio Bolsonaro tem como um dos pontos centrais uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou por duas horas o funcionamento de seções eleitorais ainda abertas no fim da tarde de domingo (25/10), atendendo a um pedido da campanha de Lula, feito às 15h46, que alegava problemas de transporte em algumas localidades. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido prorrogação do horário de votação em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, citando chuvas na mesma tarde.

Um levantamento do g1 sobre os dados oficiais do TSE mostrou que, após as 17h daquele domingo, foram registrados 35.521 votos adicionais — número que, segundo ministros consultados pela reportagem, é insuficiente para alterar o resultado da eleição, dada a margem de vitória de Lula.

Reação institucional

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reconheceu publicamente o resultado das urnas, afirmando que "a república se fortalece quando respeita a soberania popular". Já Flávio Bolsonaro, em pronunciamento à imprensa, reiterou que não reconhece a derrota e anunciou que formalizará pedido de anulação da eleição junto ao TSE, acusando o STF de ter agido, segundo ele, com "quebra de isonomia" ao autorizar a prorrogação pedida pela campanha adversária.

Até a publicação desta reportagem, as fontes consultadas não localizaram o protocolo formal do pedido de anulação nos sistemas públicos do TSE — ele foi apenas anunciado publicamente por Flávio Bolsonaro. A avaliação de ministros sobre a "chance mínima" de êxito do pedido circula em bastidores e não corresponde a uma decisão formal já publicada pela Justiça Eleitoral.

Contexto

A eleição presidencial de 2026 chegou ao 2º turno após nenhum dos candidatos obter maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, realizado em outubro. Caso seja eleito de forma definitiva, Lula cumprirá seu quarto mandato como presidente da República, após os dois primeiros mandatos (2003-2010) e o atual, iniciado em 2023.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas:
iMirante — "TSE descarta pedido de Flávio Bolsonaro contra eleição"
A Crítica — "Ministros do STF e TSE veem chance mínima de Flávio Bolsonaro anular eleição"
Correio 24 Horas — "TSE desmente Flávio Bolsonaro e diz não ter retirado fiscais do PL da sala-cofre"
O Liberal — "Flávio Bolsonaro se nega a reconhecer derrota e diz que pedirá anulação"
Correio da Manhã — "Flávio prepara pedido de anulação da eleição e acusa STF de quebra de isonomia"