Partidos que haviam apoiado o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais reconheceram, entre os dias 25 e 27 de outubro, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo, 25 de outubro de 2026. A movimentação deixou Flávio Bolsonaro isolado na posição de não aceitar o resultado das urnas, anunciada por ele na própria noite da votação.

Segundo o TSE, Lula venceu a disputa por margem superior a 4 milhões de votos. Horas após a confirmação, Flávio Bolsonaro declarou que não reconhecia o resultado e que recorreria à Corte para pedir a anulação do pleito, alegando, segundo ele, quebra de isonomia por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) — pedido sobre o qual ministros do TSE e do STF já se manifestaram, em outras ocasiões, vendo chance mínima de êxito.

Partidos de centro reconhecem o resultado

Ainda no domingo à noite, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, parabenizou Lula pela reeleição e afirmou, em publicação na rede social X, que o novo mandato traz "a responsabilidade de governar para todos os brasileiros". O partido havia apoiado formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Na segunda-feira, 26 de outubro, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, disse que Lula foi "reeleito democraticamente conforme a Constituição de 1988". A legenda havia ficado dividida no segundo turno, com parte dos diretórios estaduais apoiando Flávio Bolsonaro e outra parte apoiando Lula.

O senador eleito Arthur Lira (PP), que declarou voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno, afirmou que o país fez "a sua escolha democrática". O deputado Ricardo Barros, também do PP, parabenizou Lula no mesmo dia. Pelo União Brasil, o líder da bancada na Câmara, deputado Pedro Lucas Fernandes, cumprimentou o presidente reeleito e defendeu cooperação em temas de interesse nacional. Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, assinou nota cumprimentando Lula e o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin, afirmando que o partido manterá relação institucional com o governo.

O Podemos, presidido por Renata Abreu, emitiu nota desejando que Lula tenha "sabedoria e responsabilidade" no quarto mandato, mas afirmou que seguirá atuando de forma independente no Congresso. O PSDB também reconheceu o resultado, dizendo que permanecerá na oposição e fará críticas "quando julgar necessário".

Segundo essas reportagens, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também parabenizaram Lula e defenderam o respeito à decisão das urnas. O governador reeleito de Goiás, Ronaldo Caiado, que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno após terminar em quinto lugar no primeiro, declarou: "Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração".

A exceção de Tarcísio de Freitas

Até a publicação das reportagens consultadas, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que fez campanha por Flávio Bolsonaro, não havia parabenizado Lula publicamente. Em vez disso, Tarcísio criticou, na rede X, a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação em seções que permaneceram abertas além do previsto, escrevendo que "a democracia se fortalece com regras claras". A reportagem não indica se Tarcísio reconheceu, por outras vias, o resultado final da eleição.

Flávio Bolsonaro mantém contestação

Flávio Bolsonaro reafirmou, na noite da apuração, que não aceita o resultado. "É impossível reconhecer o resultado dessas eleições. Vou pedir a anulação", disse, segundo reportagens que acompanharam sua fala. Até a conclusão desta matéria, nenhum partido que o apoiou no segundo turno havia aderido publicamente ao pedido de anulação, e a contestação permanece isolada dentro do PL, legenda do próprio Flávio Bolsonaro.

O Brasil de Hoje não localizou, nas fontes consultadas, nota formal do PL sobre o posicionamento dos demais partidos. A reportagem será atualizada caso a legenda ou a defesa de Flávio Bolsonaro se manifestem sobre o tema.

Fontes consultadas

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.