A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma série de ações acusando o adversário de práticas irregulares nas redes sociais. Nenhuma das ações tinha decisão de mérito até a publicação desta reportagem.

O que a campanha de Lula alega

Segundo o site Poder360, a coligação de Lula protocolou, em 21 de outubro, um pedido ao TSE pela cassação do registro da chapa de Flávio Bolsonaro e do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), além de pedido de inegibilidade por oito anos para Flávio, para o influenciador Pablo Marçal e para o empresário Tallis Gomes — que, segundo a reportagem, não são réus na ação. A campanha de Lula alega abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, citando um suposto esquema com 255 perfis que teria gerado 58,6 milhões de visualizações em um mês, além de apontar que ferramentas de inteligência artificial teriam gerado conteúdo para "Flávio 22" mas recusado pedidos para "Lula 13". A ação também menciona um pagamento de R$ 600 mil da campanha de Flávio à empresa Elytron, que o Intercept Brasil teria identificado como tendo tentado vender no exterior um sistema de IA para manipulação eleitoral. O caso foi distribuído ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Em ação anterior, de 9 de outubro, a campanha de Lula também pediu a suspensão do perfil de Pablo Marçal no Instagram, alegando que ele atuaria como extensão da campanha de Flávio.

O que a campanha de Flávio Bolsonaro alega

Em sentido oposto, a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou, em 8 de outubro, ação no TSE contra uma rede de perfis no Instagram que, segundo a petição, promoveria uma "campanha do medo" para favorecer a reeleição de Lula, atribuindo a Flávio propostas que ele nega, como a privatização do SUS e o fim do Bolsa Família. A campanha mapeou 1.525 perfis e classificou 218 publicações como desinformação, atribuídas a 123 perfis com 11,6 milhões de visualizações. O pedido inclui a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, além de medidas liminares como suspensão de perfis e quebra de sigilo de responsáveis por contas anônimas.

Em outra ação, de 10 de outubro, a campanha de Flávio pediu a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones, que teria reunido 3,2 milhões de seguidores em cerca de uma semana. O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, chegou a suspender o canal, mas a decisão foi revertida horas depois pelo corregedor Villas Bôas Cueva, que restabeleceu o canal provisoriamente até o julgamento pelo plenário.

Acusação contra a Meta

A campanha de Lula também apresentou representação contra a Meta, alegando que a plataforma limitou o alcance de publicações do petista para favorecer Flávio. A Meta negou favorecimento a qualquer candidato e disse que problemas técnicos também afetaram usuários em outros países. O ministro Marco Aurélio Bellizze deu à empresa 48 horas para explicações e determinou a preservação de registros de moderação e métricas de anúncios.

Sem resposta das partes

Procuradas pela reportagem original do Poder360, a campanha de Lula não respondeu sobre a ação da campanha de Flávio relativa à rede pró-Lula no Instagram. Já sobre a ação de 21 de outubro movida pela campanha de Lula, nem a campanha de Flávio, nem Gaspar, nem a equipe de Tallis Gomes haviam se manifestado até a publicação; a equipe de Pablo Marçal e a empresa Elytron informaram que iriam verificar o assunto.

Contexto

Lula e Flávio Bolsonaro vão ao segundo turno após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. As disputas judiciais entre as duas campanhas no TSE já incluem, em episódios anteriores, a remoção de publicações e vídeos de ambos os lados por decisão da Justiça Eleitoral, além de multa aplicada a Flávio por post que associava Lula a organizações criminosas. Nenhum dos processos citados nesta reportagem teve, até o momento, julgamento de mérito pelo plenário do TSE.

Fontes consultadas

Poder360; Itatiaia.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.