As companhias de educação Yduqs e Afya anunciaram, em 23 de setembro, um acordo de fusão que deve criar um dos maiores grupos de ensino superior do país, avaliado em cerca de R$ 9 bilhões. Pelos termos divulgados, a Afya será incorporada pela Yduqs e deixará de ser negociada na bolsa americana Nasdaq.

Como funciona a troca de ações

Cada ação da Afya será convertida em 6,408347 ações da Yduqs. Ao final da operação, os acionistas da Afya passarão a deter 69% do capital da empresa combinada, enquanto os atuais acionistas da Yduqs ficarão com 31%. Segundo o Brazil Journal e a Exame, o negócio prevê ainda a distribuição de pelo menos R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs antes da conclusão da fusão.

As companhias estimam sinergias entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em valor presente líquido, provenientes de ganhos administrativos, redução de custos e eficiência de investimentos, com cerca de 80% desse potencial a ser capturado em três anos, segundo a Exame. Virgilio Gibbon foi indicado para comandar a empresa combinada como CEO, com Kay Krafft na presidência do conselho.

Reação do mercado e risco regulatório

O anúncio provocou reação mista na Bolsa: as ações da Yduqs subiram, enquanto os papéis da Afya recuaram e os da concorrente Cogna também caíram, segundo a Exame. Analistas ouvidos pela Bloomberg Línea apontam que a operação pode enfrentar questionamentos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em razão da concentração de mercado no segmento de cursos de medicina, área em que as duas companhias têm forte presença. A fusão ainda depende de aprovações societárias e regulatórias, com prazo estimado de cerca de 12 meses até a conclusão.

Fontes consultadas

Brazil Journal; Exame; Bloomberg Línea.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.