A mineradora Vale divulgou, na noite de 29 de outubro, lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão (cerca de R$ 6,8 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 53% em relação aos US$ 2,685 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado: o consenso compilado pela Bloomberg apontava lucro de US$ 1,508 bilhão para o período.

Apesar do tombo no lucro, a receita líquida da companhia cresceu 2% na comparação anual, para US$ 10,599 bilhões, alta puxada principalmente pelo segmento de metais básicos (cobre e níquel), que compensou parte da fraqueza do minério de ferro, principal produto da mineradora.

Minério mais barato pesa no resultado

Segundo o balanço da Vale, o preço médio realizado do minério de ferro (finos) no trimestre foi de US$ 85,1 por tonelada, queda de 10% tanto em relação ao mesmo período do ano passado quanto ao trimestre imediatamente anterior. A produção de minério somou 88,4 milhões de toneladas, 6% menor que um ano antes, efeito atribuído pela empresa à menor disponibilidade de minério bruto (ROM) na mina de Serra Norte, no Pará. As vendas, por outro lado, cresceram 0,3%, para 86,3 milhões de toneladas.

Os custos também subiram: o custo caixa C1 (custo direto de produção) avançou 12%, para US$ 23,1 por tonelada, e o custo all-in (que inclui frete, despesas e investimentos de sustentação) teve alta de 21%, para US$ 60,4 por tonelada. De acordo com a companhia, a pressão veio da valorização do real frente ao dólar, do custo mais alto do combustível marítimo (bunker) e de despesas de frete.

Ebitda recua, mas metais básicos avançam

O Ebitda ajustado da Vale somou US$ 3,327 bilhões no trimestre, queda de 24% na base anual; na métrica proforma, usada pela empresa para fins de comparação, o indicador foi de US$ 3,508 bilhões, recuo de 20%, ficando um pouco acima das projeções de analistas, de US$ 3,324 bilhões.

Na contramão do minério de ferro, a divisão de metais básicos teve desempenho positivo: o Ebitda ajustado do segmento somou US$ 1,105 bilhão, alta de 61% em um ano, impulsionado principalmente pelo cobre — mesmo com a produção física recuando 6%, para 85,5 mil toneladas, por conta de uma reforma no moinho da mina de Sossego, no Pará. Já a produção de níquel cresceu 6%, para 49,7 mil toneladas.

Dívida cai e fluxo de caixa melhora no trimestre

A dívida líquida expandida da Vale — métrica que inclui as provisões relacionadas aos rompimentos de barragens em Brumadinho (MG) e Mariana (MG), além do acordo da Samarco — terminou o trimestre em US$ 16,413 bilhões, uma redução de US$ 264 milhões em relação ao trimestre anterior. Já a dívida líquida convencional, sem essas provisões, somou US$ 13,097 bilhões, alta de 5% em um ano.

O fluxo de caixa livre total ficou em US$ 2,230 bilhões no trimestre, queda de 9% na comparação anual, mas alta de 48% em relação ao segundo trimestre de 2026. Já o fluxo de caixa livre recorrente — que exclui itens não recorrentes, como as provisões de Brumadinho e Samarco — somou US$ 1,373 bilhão, recuo de 12% na base anual.

Projeções para 2026 são mantidas

Em comunicado, a Vale reafirmou suas projeções (guidance) para a produção em 2026: entre 335 e 345 milhões de toneladas de minério de ferro, com expectativa de encerrar o ano próximo ao limite inferior da faixa; entre 30 e 34 milhões de toneladas de pelotas, perto do ponto médio da projeção; e produção de cobre e níquel na metade superior das respectivas faixas estimadas. Os investimentos devem ficar próximos ao piso da projeção, de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões.

Segundo a companhia, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, atribuiu a resiliência do caixa à flexibilidade operacional da mineradora e à estratégia de proteção (hedge) contra oscilações no custo do frete e do combustível marítimo, que, segundo ele, ajudaram a preservar margens mesmo em um trimestre de preços mais baixos do minério.

A Vale não anunciou, junto com o balanço do terceiro trimestre, qualquer decisão sobre dividendos extraordinários. A distribuição regular de proventos da empresa segue sua política de remuneração semestral, atrelada a 30% do Ebitda ajustado descontado o investimento corrente.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

  • Times Brasil (CNBC) — "Lucro da Vale cai 53% no 3º trimestre, para US$ 1,3 bilhão" — https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/lucro-da-vale-cai-53-no-3o-trimestre-para-us-13-bilhao/
  • Seu Dinheiro — "Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 54%, para US$ 1,255 bilhão" — https://seudinheiro.com/2026/empresas/com-minerio-de-ferro-e-petroleo-jogando-contra-vale-vale3-ve-lucro-cair-54-para-us-1255-bilhao/
  • Investidor10 — "Vale (VALE3) lucra US$ 1,25 bilhão no 3T26, tombo de 54%" — https://investidor10.com.br/noticias/vale-vale3-lucra-us-1-25-bilhao-no-3t26-tombo-de-54-123604/