A Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta segunda-feira (19), o fim da recuperação judicial da Americanas. A 4ª Vara Empresarial da capital fluminense reconheceu o cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores e acolheu o pedido apresentado pela companhia em março, com manifestações favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial do processo.
Quase quatro anos de processo
A varejista entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, dias depois de revelar inconsistências contábeis estimadas em cerca de R$ 20 bilhões, relacionadas principalmente a operações de risco sacado que não apareciam corretamente no balanço da empresa. Na época, a descoberta levou à troca da administração, à abertura de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) e ao pedido de recuperação judicial, com dívidas que somavam mais de R$ 40 bilhões.
Segundo o processo, o plano de recuperação foi aprovado por 91% dos credores e serviu de base para a renegociação dos passivos e a reorganização da estrutura de capital da companhia.
Ação penal contra ex-executivos segue em paralelo
O desfecho da recuperação judicial ocorre poucos dias depois de a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro aceitar, em 16 de outubro, a denúncia apresentada pelo MPF em março de 2025 contra ex-integrantes da administração da Americanas. Com a decisão, 12 ex-executivos passaram a responder como réus por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado; parte deles também responde por uso de informação privilegiada.
Entre os réus está o ex-presidente da companhia, Miguel Gutierrez, apontado pelo Ministério Público como um dos líderes do esquema. Não há, até o momento, condenação na ação penal, que segue em fase inicial. A reportagem não localizou manifestação pública da defesa de Gutierrez sobre a aceitação da denúncia até a publicação desta matéria.
A Americanas afirma, desde 2023, que foi vítima de fraude praticada por ex-executivos e diz colaborar com as autoridades na apuração dos fatos.
O que muda para a empresa
Com o fim da recuperação judicial, a Americanas deixa de operar sob supervisão judicial do processo. A companhia informou operar atualmente mais de 1.400 lojas físicas, com foco em categorias de giro rápido e conveniência. De acordo com dados divulgados pela própria empresa, o ganho operacional somou cerca de R$ 500 milhões nos últimos dois anos; no primeiro semestre de 2026, as vendas em lojas já existentes cresceram 9,3% e a receita bruta por metro quadrado avançou 10,3%.
Fontes consultadas
NeoFeed, "Quase quatro anos após fraude bilionária, Americanas sai da recuperação judicial"; Jornal Aurora, Tribuna do Sertão e Aonca Notícias, "Justiça decreta fim da recuperação judicial da Americanas" (19/10/2026); informações e posicionamentos divulgados pela própria Americanas.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
