O leilão da oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Braskem, realizado em 16 de outubro na B3, teve adesão praticamente simbólica: apenas 19.983 ações trocaram de mãos — sendo 2.850 ordinárias e 17.133 preferenciais classe A —, segundo comunicado da empresa ao mercado divulgado em 17 de outubro. A liquidação financeira da operação está prevista para 21 de outubro.
A oferta foi lançada pelo fundo Shine I Fundo de Investimento em Participações, administrado pela Vórtx e assessorado pela gestora IG4 Capital, que assumiu o controle votante da petroquímica em junho deste ano após comprar a fatia da Novonor (ex-Odebrecht). Com a liquidação do leilão, o Shine I passa a deter 226,3 milhões de ações ordinárias e 47,3 milhões de ações preferenciais classe A, o equivalente a 50,11% do capital votante e 34,33% do capital total da companhia — percentual praticamente idêntico ao que já detinha antes da oferta, o que reforça a leitura de que houve pouco interesse dos minoritários em vender.
Como a Braskem mudou de controlador
A operação tem origem em um acordo fechado em abril e concluído em 3 de junho de 2026, quando a NSP Investimentos — veículo ligado à Novonor — vendeu ao Shine I FIP o bloco de ações que lhe garantia o controle da Braskem. A transação não envolveu dinheiro vivo: os vendedores receberam debêntures emitidas pela própria NSP Investimentos, estrutura de pagamento repetida agora na OPA que se seguiu à mudança de controle, obrigatória pela regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que exige oferta a todos os acionistas minoritários sempre que o bloco de controle de uma companhia aberta muda de mãos. A CVM aprovou o registro da oferta em 21 de setembro. A Petrobras, sócia histórica da Braskem, manteve sua posição na companhia — detendo cerca de 47% do capital total, segundo dado veiculado à época da aprovação da CVM — e passou a operar sob um novo acordo de acionistas com o Shine I FIP.
Pano de fundo: recuperação extrajudicial e dívida de US$ 11 bilhões
A baixa adesão ao leilão ocorre num momento delicado para a petroquímica. Em 24 de agosto, a Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial com apoio de apenas 39,6% dos credores à época, processo que cobre cerca de US$ 11 bilhões em dívidas — dos quais cerca de US$ 7 bilhões em bonds emitidos pela companhia e majoritariamente nas mãos de investidores estrangeiros. A empresa tem até 22 de novembro para apresentar um plano de reestruturação atualizado que obtenha adesão de mais de 50% dos credores, sob pena de o processo ser convertido em recuperação judicial.
A crise se agravou com o pedido de proteção sob o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos feito pela subsidiária mexicana Braskem Idesa, também em agosto. O Ministério Público de São Paulo recomendou à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista a suspensão de novos aportes e repasses da matriz brasileira para a operação mexicana, alegando risco de esvaziamento patrimonial — medida que o tribunal acolheu em caráter cautelar. Segundo apuração da Bloomberg citada por veículos do mercado, credores pressionam os controladores — Petrobras e o fundo Shine I — para que injetem capital novo na companhia, resistência que os próprios credores têm em bancar sozinhos. Em meio a esse cenário, o banco UBS BB rebaixou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) para venda em 16 de setembro, projetando queda adicional de cerca de 29% no papel.
Próximos passos
Quem não vendeu ações ordinárias no leilão de 16 de outubro ainda poderá aderir à oferta, nas mesmas condições de pagamento em debêntures, até 16 de novembro. A data também antecede em poucos dias o prazo-limite de 22 de novembro para a apresentação do plano de reestruturação da dívida aos credores — o evento que o mercado considera o verdadeiro divisor de águas para o futuro da maior produtora de resinas termoplásticas das Américas.
Fontes consultadas
- Money Times — "Braskem (BRKM5): FIP Shine consolida controle após OPA; acionistas têm novo prazo para vender papéis"
- Money Times — "Braskem (BRKM5): CVM aprova registro de OPA após mudança no controle"
- Money Times — "Braskem (BRKM5) vira alvo de disputa: MP questiona processo e credores cobram Petrobras e IG4"
- Times Brasil — "Braskem anuncia OPA após mudança de controle; leilão será em 16 de outubro"
- euqueroinvestir.com — "IG4 conclui aquisição de 34,3% da Braskem da Novonor e anuncia OPA"
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
