O mercado brasileiro de fusões, aquisições e emissão de dívida movimentou R$ 1 trilhão entre outubro de 2025 e setembro de 2026, um volume 20% maior do que o registrado no período equivalente anterior às eleições de 2022. O levantamento é da Seneca Evercore e foi divulgado pelo Jornal do Comércio.
Um padrão que se inverteu
Historicamente, anos eleitorais costumam esfriar o apetite por transações no Brasil. Em 2018, o volume de operações de M&A caiu 1,8% nos 12 meses anteriores ao pleito; em 2022, a retração foi de 32,7%, na expectativa da volta de Lula ao poder. Em 2026, pela primeira vez nesse comparativo, o volume cresceu 6,4% em vez de recuar.
"Nas eleições anteriores, o mercado esperava o resultado das urnas para retomar as transações. Neste ano, os agentes de mercado precificaram os possíveis desfechos eleitorais e continuaram operando", afirmou Daniel Wainstein, co-CEO da Seneca Evercore, em entrevista citada pelo Jornal do Comércio.
Risco-país em queda
Outro indicador citado pelo levantamento é o CDS (Credit Default Swap) soberano do Brasil, contrato que mede o custo de proteção contra calote da dívida pública. O indicador de 12 meses está na casa de 130 pontos-base, o menor patamar pré-eleitoral desde 2010 — ante 238 pontos em 2022 e 195 pontos em 2018.
Segundo a Seneca Evercore, a leitura do mercado é de que investidores estão menos receosos com a incerteza eleitoral depois de acompanhar diferentes transições de governo nos últimos ciclos, o que reduziria o prêmio de risco que tradicionalmente esfriava negócios em anos de eleição presidencial.
Fontes consultadas: Jornal do Comércio; Seneca Evercore.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
