A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou, em 1º de outubro, a compra de 100% da Meteoric Resources, dona do projeto Caldeira, de terras raras, localizado na região de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. O negócio foi estruturado como uma troca integral de ações, avaliada em cerca de A$ 968 milhões (dólares australianos), com base na cotação média da Lynas nos últimos 60 pregões.
Pelos termos do acordo, cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação nova da Lynas para cada papel que possuir — o equivalente a A$ 0,286 por ação, segundo o último fechamento da Lynas. O valor representa um prêmio de 68,4% sobre o último fechamento da Meteoric na bolsa australiana e de 64,2% sobre a média de preço dos últimos 60 pregões. Concluída a operação, os atuais acionistas da Lynas deterão cerca de 94,1% da empresa combinada, e os da Meteoric, 5,9%.
Um dos maiores depósitos do mundo fora da China
Segundo a Meteoric, o projeto Caldeira é o maior depósito conhecido de argila iônica rica em óxidos de terras raras fora da China, com recurso mineral estimado em 1,63 bilhão de toneladas a um teor médio de 2.317 partes por milhão de óxidos de terras raras totais (TREO), incluindo cerca de 802 mil toneladas de neodímio-praseodímio (NdPr) — insumo usado em ímãs permanentes para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa — e 41 mil toneladas de disprósio-térbio (DyTb). A reserva lavrável é estimada em 151 milhões de toneladas, com vida útil projetada de 23 anos, conforme estudo de viabilidade definitivo concluído em julho.
Com a aquisição, a Lynas projeta aumentar seus recursos minerais totais de terras raras em 79% e suas reservas em 26%, consolidando-se como uma das maiores produtoras do mineral fora do território chinês, hoje responsável pela maior parte do processamento mundial do insumo.
Negócio ainda depende de aprovações
A operação ainda precisa passar por aprovação dos acionistas da Meteoric, da Justiça australiana e de órgãos reguladores, incluindo o novo regime brasileiro de minerais críticos e estratégicos, sancionado recentemente. Segundo o cronograma informado pela Lynas, o documento oficial da operação (Scheme Booklet) deve ser publicado em dezembro, com assembleia de acionistas prevista para janeiro de 2027. O conselho da Meteoric recomendou a operação por unanimidade, e o maior acionista individual da empresa, Tolga Kumova, com cerca de 6,7% das ações, já sinalizou apoio ao negócio.
Em nota, o então vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, afirmou: "Já temos grandes investimentos em andamento e projetos em processo de licenciamento na cidade de Poços de Caldas." A Lynas também concedeu à Meteoric um empréstimo-ponte de até A$ 110 milhões para sustentar o projeto até a conclusão da operação.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas: Pulse2, comunicado oficial da Lynas Rare Earths à Bolsa de Valores da Austrália (ASX), Mining Weekly.
