O iFood Benefícios, braço de benefícios corporativos do iFood, fechou acordo para comprar a Caju, startup de benefícios e gestão de pessoas, em um negócio avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, segundo apuração do Estadão/Broadcast publicada nesta terça-feira (20). A controladora do iFood, a holandesa Prosus, classificou a operação como a maior aquisição já feita pela empresa de delivery.

Juntas, as duas empresas somarão cerca de 3 milhões de usuários e 135 mil empresas clientes, com um volume transacionado estimado em R$ 2,6 bilhões por mês. Atualmente, o iFood Benefícios tem cerca de 1,7 milhão de usuários e 65 mil empresas clientes, com transações mensais de aproximadamente R$ 1,3 bilhão; a Caju soma 1,3 milhão de trabalhadores e mais de 70 mil empresas clientes, com volume mensal semelhante, também próximo de R$ 1,3 bilhão.

Negócio ainda depende de aprovação de Cade e Banco Central

A conclusão da compra está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do governo federal, e do Banco Central, que regula parte das operações financeiras envolvidas em serviços de benefícios. Em nota, o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, disse que a integração deve tornar a oferta corporativa da empresa mais eficiente a partir dos sistemas de recursos humanos da Caju, enquanto a rede de restaurantes e as promoções do aplicativo do iFood devem beneficiar os atuais clientes da Caju.

O mercado de benefícios corporativos no Brasil — que inclui vale-refeição e vale-alimentação — movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano. Desde a pandemia, entrantes digitais do setor têm pressionado operadoras tradicionais, em um movimento de maior concorrência e, segundo analistas do setor, busca por regras menos rígidas de atuação.

Segunda tentativa de consolidação do iFood no setor

A compra da Caju não é a primeira movimentação do iFood no setor de benefícios. Em julho de 2025, o Estadão/Broadcast já havia revelado negociações da empresa para comprar a Alelo, companhia de benefícios controlada por Banco do Brasil e Bradesco, em negócio então estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões — as partes não comentaram o assunto à época.

A aquisição da Caju também se insere em um plano maior de expansão: o iFood projeta investir R$ 24 bilhões no Brasil no ano fiscal de 2026-27, alta de 41% em relação ao período anterior. Hoje, o delivery de comida ainda responde por 45% da receita da companhia, que busca aumentar a participação de fintech, viagens e benefícios em seu faturamento.

Quem é a Caju

Fundada em São Paulo em 2020, durante a pandemia, pelos empreendedores Eduardo del Giglio e Renan Mendes, a Caju captou uma rodada seed de R$ 13 milhões em 2020, uma série A de R$ 45 milhões em 2021 e uma série B de US$ 25 milhões em 2022, liderada pela gestora americana K1 Investment Management. A empresa, que emprega mais de 700 pessoas, teve entre seus investidores a própria K1, além de Valor Capital Group, Canary, Caravela Capital e Volpe Capital.

Fontes consultadas: Estadão/Broadcast, via Terra (20/10/2026); NeoFeed; Startups.com.br.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.