O setor de mineração no Brasil registrou US$ 8,2 bilhões em fusões e aquisições com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, segundo levantamento da consultoria Alvarez & Marsal (A&M) divulgado nesta semana. O estudo mapeou 13 transações com valores públicos, além de mais de dez operações menores ou sem valor informado.
Terras raras concentram quase metade do valor
Duas transações envolvendo terras raras respondem por 42% do valor total identificado pelo levantamento. A maior delas é a compra da Serra Verde pela americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões, concluída em setembro de 2026 e que envolve a mina e a usina Pela Ema, em Minaçu (GO). A segunda é a aquisição da Meteoric Resources pela australiana Lynas Rare Earths, avaliada em cerca de US$ 672 milhões, com foco no Projeto Caldeira, em Minas Gerais — negócio já noticiado anteriormente e que segue como uma das maiores apostas em terras raras fora da China.
Outras grandes operações do período
O levantamento também lista a venda, pela Votorantim, de 64,7% da Nexa Resources para a sueca Boliden, por cerca de US$ 1,31 bilhão; a venda de ativos de ouro no Brasil pela canadense Equinox Gold para a chinesa CMOC, por até US$ 1,015 bilhão; a assunção do controle da CBA pela chinesa Chalco em parceria com a Rio Tinto, por US$ 903 milhões; e a compra de ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará pela MMG, por até US$ 500 milhões — negócio que ainda depende de aprovação regulatória na União Europeia.
Ritmo acelerado em 2026
Do total de oito operações já concluídas (US$ 4,6 bilhões), cinco ainda aguardam aprovações regulatórias ou a finalização dos trâmites (US$ 3,6 bilhões). Segundo a A&M, os negócios apenas anunciados em 2026 somam US$ 5,9 bilhões, mais que o dobro dos US$ 2,3 bilhões registrados em todo o ano de 2025. Entre os vendedores identificados no período estão Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e a própria Votorantim. Compradores chineses respondem por cerca de 30% do valor total anunciado.
Por que o interesse internacional é alto
Segundo Rafael Marchi, sócio-diretor da A&M Infra, o apetite por ativos minerais brasileiros está ligado à importância geopolítica desses recursos: investidores buscam fornecedores alternativos para reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas em poucos países, especialmente na China. Marchi também cita o "prêmio geopolítico" associado a minerais críticos e ao níquel, usado em baterias, além do interesse de empresas em verticalizar a cadeia mineral no Brasil, incorporando etapas de processamento e transformação industrial no território nacional.
O que ainda está em negociação
Entre os negócios em discussão, mas ainda não assinados até a data de corte do levantamento, estão a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê — cujos controladores buscam cerca de US$ 5 bilhões — além de processos envolvendo a BAMIN e uma participação minoritária na LHG Mining.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas
Revista Mineração; Click Petróleo e Gás; Gazeta Mercantil; Brasil 247.
