A Embraer entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, o melhor resultado trimestral da história da companhia, superando as 65 unidades do trimestre anterior. O número, divulgado pela fabricante brasileira em 2 de outubro, representa alta de 6% sobre as 62 aeronaves entregues no mesmo período de 2025 e foi puxado principalmente pela retomada de entregas militares, que haviam ficado paradas no segundo trimestre.

Apesar do recorde, a reação do mercado financeiro foi mista: bancos como Bradesco BBI, Santander e Itaú BBA divergiram na leitura dos números, já que o segmento de jatos executivos ficou abaixo do esperado e deve pressionar a receita do trimestre, segundo estimativas de analistas.

Defesa puxa a recuperação, mas executivos decepcionam

Do total entregue no trimestre, 22 unidades vieram da aviação comercial — 11 jatos E175 e 11 da família E2 —, alta de dez por cento tanto na comparação anual quanto em relação ao segundo trimestre, de acordo com reportagem do jornal português Eco de 2 de outubro. Já a aviação executiva somou 41 entregas, quatro a menos que as 45 do trimestre anterior, embora estável na comparação com um ano antes.

O destaque ficou com a área de defesa e segurança, que entregou três aeronaves — duas unidades do caça leve A-29 Super Tucano para a Força Aérea do Paraguai e um cargueiro KC-390 Millennium para a Força Aérea do Uzbequistão —, ante apenas uma entrega no mesmo trimestre de 2025. A informação sobre os destinos das aeronaves militares foi divulgada pelo jornal O Tempo em reportagem publicada em 2 de outubro.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a Embraer somou 175 entregas, 14% a mais que as 153 registradas no mesmo intervalo de 2025, segundo dados compilados pelo Eco a partir do relatório operacional da companhia.

Bancos divergem sobre o impacto no caixa

A performance abaixo do esperado no segmento executivo levou o Bradesco BBI a classificar o resultado como "misto", embora tenha mantido recomendação de compra (outperform) e preço-alvo de US$ 99 para os papéis EMBJ3, conforme avaliação citada pelo InfoMoney em 2 de outubro. O banco estima que a composição mais fraca das entregas pode reduzir a receita do trimestre em cerca de US$ 160 milhões, equivalente a 7% a menos do que o projetado inicialmente.

O Santander classificou o resultado como "moderadamente positivo" e manteve preço-alvo de US$ 106, enquanto o Itaú BBA considerou os números "levemente negativos", mas preservou seu preço-alvo de US$ 95 — segundo o mesmo levantamento do InfoMoney junto às três instituições. Analistas ponderam que a distribuição mais equilibrada de entregas ao longo do ano reduz a volatilidade trimestral e tende a melhorar a previsibilidade de caixa da fabricante.

Carteira de pedidos recorde e meta para 2030

A Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões, o sétimo recorde trimestral consecutivo, segundo dados anteriores reportados pelo Money Report e pela consultoria LRCA Defense Consulting. A empresa também elevou, no resultado do segundo trimestre, sua projeção de margem EBIT ajustada para a faixa de 10% a 10,6%, ante guidance anterior de 8,7% a 9,3%, conforme reportagem do jornal O Tempo.

Para 2026, a companhia mantém a meta de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos — o que implica crescimento anual de cerca de 6%. A Embraer já sinalizou ambição de elevar a produção para até 120 jatos comerciais e mais de 200 executivos por ano até 2030, segundo reportagem do portal Click Petróleo e Gás.

Os números divulgados nesta semana referem-se apenas ao relatório operacional de entregas. O balanço financeiro completo do terceiro trimestre, com receita, lucro líquido e demais indicadores, será divulgado pela companhia em 10 de novembro de 2026.

Fontes consultadas

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.