O setor de mineração no Brasil tem vivido uma onda de fusões e aquisições puxada pela disputa internacional por terras raras e minérios estratégicos. Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal (A&M), divulgado neste mês, mostra que o setor movimentou US$ 8,2 bilhões em 13 negócios com valores divulgados desde janeiro de 2025 — sendo US$ 5,9 bilhões somente em 2026, contra US$ 2,3 bilhões registrados em todo o ano de 2025. Do total, oito negócios já foram concluídos, somando cerca de US$ 4,6 bilhões, enquanto cinco ainda dependem de aprovação regulatória, em valor aproximado de US$ 3,6 bilhões.

Terras raras concentram quase metade do valor

Segundo a A&M, as terras raras concentram 42% do valor total das transações. A americana USA Rare Earth comprou a mina Serra Verde, em Minaçu (GO), por US$ 2,8 bilhões, negócio concluído em setembro. Já a australiana Lynas Rare Earths fechou acordo para adquirir a Meteoric Resources, dona do Projeto Caldeira, em Minas Gerais, por cerca de US$ 672 milhões.

Capital chinês e sueco também avança

Empresas chinesas respondem por aproximadamente 30% do valor movimentado. A mineradora CMOC comprou ativos de ouro da Equinox Gold por até US$ 1,015 bilhão, enquanto a Chalco, em parceria com a Rio Tinto, assumiu o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) por US$ 903 milhões. A MMG negocia a compra de ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará por até US$ 500 milhões, negócio que ainda depende de análise regulatória, inclusive na União Europeia. A sueca Boliden, por sua vez, comprou da Votorantim 64,7% da Nexa Resources por US$ 1,31 bilhão.

Rafael Marchi, sócio-diretor da A&M Infra, afirmou que as empresas do setor já reorganizam seus portfólios em função da verticalização da mineração no país e que a incerteza regulatória tem gerado insegurança em alguns processos em andamento — avaliação do consultor, e não um dado objetivo do levantamento. Fora do total oficial contabilizado pela A&M, há negociações em curso envolvendo o Porto Sudeste, da Mineração Morro do Ipê, cujos controladores buscam cerca de US$ 5 bilhões pelo ativo, e a Bahia Mineração (Bamin).

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

CNN Brasil; MoneyTimes; Eu Quero Investir.