A mineradora australiana Lynas Rare Earths fechou acordo para adquirir 100% da Meteoric Resources, dona do Projeto Caldeira, localizado nos municípios de Caldas e Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. O negócio, anunciado entre 30 de setembro e 1º de outubro de 2026, está avaliado em aproximadamente US$ 672 milhões (A$ 968 milhões), o equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões.
A operação foi estruturada por meio de troca de ações: os acionistas da Meteoric Resources receberão 0,0207 ação da Lynas para cada papel que possuem atualmente da mineradora júnior. Com a conclusão do negócio, a Meteoric deixa de ser uma empresa independente e passa a integrar integralmente o grupo australiano.
Entrada da maior produtora de terras raras fora da China no Brasil
A Lynas é reconhecida como a maior produtora de terras raras fora da China, país que concentra a maior parte do processamento e da extração mundial desses minerais estratégicos. Com a compra do Projeto Caldeira, a companhia australiana marca sua entrada no mercado brasileiro, área considerada estratégica para a cadeia de suprimentos de ímãs de alta performance, insumo essencial para veículos elétricos, sistemas de defesa e equipamentos eletrônicos.
O Sul de Minas Gerais, região onde fica o projeto, já é conhecido por depósitos minerais relevantes, e a chegada de uma mineradora do porte da Lynas reforça o interesse internacional crescente pelas reservas brasileiras de terras raras, num momento em que diversos países buscam alternativas à dependência da cadeia produtiva chinesa.
Disputa geopolítica por minerais críticos
As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos usados em tecnologias como turbinas eólicas, baterias, mísseis e smartphones — tornaram-se nos últimos anos um dos principais pontos de tensão geopolítica entre grandes potências. A China domina hoje a maior parte da extração e, principalmente, do processamento desses minerais, o que levou países como Estados Unidos, Austrália e nações europeias a investir na diversificação de fontes de suprimento fora do território chinês.
Nesse contexto, o Brasil desponta como um dos países com potencial para se tornar fornecedor relevante de terras raras, e negócios como a aquisição do Projeto Caldeira pela Lynas tendem a atrair atenção de investidores e de governos interessados em reduzir a dependência da China para esses insumos críticos.
Fontes consultadas
Exame (exame.com/invest/mercados/mineradora-australiana-compra-projeto-de-terras-raras-no-sul-de-minas-por-r-35-bi); Poder360 (poder360.com.br/poder-economia/australiana-lynas-paga-r-35-bi-em-projeto-de-terras-raras-em-mg); InvestNews (investnews.com.br/negocios/australiana-lynas-compra-mineradora-por-r-35-bilhoes-e-entra-no-mercado-de-terras-raras-do-brasil).
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
