O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (24) o líder chinês, Xi Jinping, na Casa Branca, em Washington, para uma visita de Estado. É a primeira viagem de Xi à capital americana em mais de dez anos e o segundo encontro entre os dois presidentes em 2026 — o anterior foi uma cúpula em Pequim, em maio.
A agenda reúne os principais pontos de atrito entre as duas maiores economias do mundo: comércio, Taiwan, inteligência artificial e a guerra envolvendo o Irã.
Trégua comercial prorrogada
Na véspera do encontro, segundo a Associated Press, os dois governos concordaram em estender por dois meses a trégua comercial de um ano que expiraria em 10 de novembro. A prorrogação dá mais tempo às equipes para buscar um acordo mais duradouro, mas deixa em aberto as disputas de fundo.
Em discurso na cerimônia de chegada, Trump disse, de acordo com a CNBC, que os dois países vêm trabalhando por uma relação comercial mais equilibrada e que discutiriam temas de segurança, tecnologia e IA.
Taiwan e chips
Do lado chinês, as prioridades relatadas por agências internacionais são o fim da venda de armas americanas a Taiwan e o afrouxamento das restrições dos EUA à exportação de chips avançados. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, citada pela AP, Xi pediu a Trump, na conversa privada, que trate a questão de Taiwan com prudência. A mídia estatal chinesa também informou, de acordo com a CNN, que Xi manifestou a expectativa de que os EUA se oponham à independência da ilha.
Até a última atualização desta matéria, a Casa Branca não havia divulgado um resumo oficial das conversas.
A guerra com o Irã
Washington, por sua vez, quer que Pequim use sua influência sobre Teerã para que o Irã aceite os termos americanos para encerrar a guerra, que já dura quase sete meses. Segundo a AP, a China tem resistido a essa pressão.
O tema ganhou peso nesta semana na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde Trump ameaçou "aniquilar" o Irã caso não haja acordo e, no dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca armas nucleares, mas defende o direito à tecnologia nuclear pacífica.
Expectativa de poucos resultados
Analistas ouvidos por veículos como Reuters, NBC News e CNN avaliam que a cúpula deve ser marcada mais pelo simbolismo do que por decisões concretas, diante da desconfiança mútua. A programação inclui um jantar de Estado com executivos americanos e, segundo a Reuters, uma visita conjunta aos Arquivos Nacionais na sexta-feira (25).
Por que importa para o Brasil
China e Estados Unidos estão entre os maiores parceiros comerciais do Brasil. Mudanças nas tarifas e nas regras de comércio entre as duas potências costumam afetar preços de commodities, fluxos de investimento e o câmbio, com reflexos para exportadores brasileiros.
Fontes consultadas
Associated Press (24/09/2026); Reuters, via U.S. News (24/09/2026); CNBC (24/09/2026); CNN (24/09/2026); NBC News (24/09/2026); Just Security (24/09/2026).
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
