A líder opositora venezuelana María Corina Machado reapareceu publicamente no domingo (25/10) em Barquisimeto, na Venezuela, após meses fora de circulação, e percorreu cerca de 400 quilômetros de estrada até Caracas acompanhada por apoiadores. O retorno ocorre em um momento de disputa política sobre os termos de um processo de transição negociado no país após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, durante operação militar dos Estados Unidos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou a forma como se deu o retorno de Machado. Em transmissão de TV estatal nesta segunda-feira (26/10), Rodríguez disse que "o show poderia ter sido evitado", já que, segundo ela, "ali estão os aeroportos" — insinuação de que a opositora poderia ter retornado ao país sem a mobilização pública que acompanhou sua chegada.
<h2>Governo nega persseguição e oposição cobra lugar na mesa de diálogo</h2>
Diosdado Cabello, secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), afirmou que "não há persseguições contra ninguém" e acusou a oposição de organizar um "show" político em torno do retorno de Machado. Em resposta, Claudia Macero, dirigente do partido de Machado, o Vente Venezuela, disse que a líder opositora está disposta a dialogar "com transparência e agenda concreta", mas reclamou que falta uma cadeira na mesa de negociação — a do próprio partido dela, hoje fora do processo de diálogo em curso desde agosto.
<h2>EUA dizem ter negociado o retorno; UE chama de "oportunidade"</h2>
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou no domingo que o retorno de Machado foi "resultado direto" do processo de reconciliação em curso na Venezuela. Na segunda-feira, Rubio revelou que Washington havia avisado, semanas antes, ao governo interino de Rodríguez que Machado deveria poder retornar ao país sem obstáculos. A União Europeia classificou o episódio como uma "oportunidade" para avançar rumo a eleições livres no país.
O plano de transição promovido pelos Estados Unidos prevê três fases, sem data definida, incluindo reformas no Conselho Nacional Eleitoral e no Tribunal Supremo de Justiça venezuelanos. Machado está formalmente inabilitada para disputar eleições na Venezuela; seu partido sustenta que o candidato opositor Edmundo González Urrutia venceu a eleição presidencial de 2024, cujo resultado oficial, no entanto, deu vitória a Maduro.
<h2>Fontes consultadas</h2>
La Nación; El Imparcial; Infobae; El Tiempo.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
