A Rússia lançou uma nova onda de ataques contra instalações de energia em 11 regiões da Ucrânia na madrugada de segunda-feira (19), deixando dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) estar disposto a se reunir com o russo Vladimir Putin e o chinês Xi Jinping no mês que vem, sem a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Segundo o vice-ministro da Energia da Ucrânia, Artem Nekrasov, os bombardeios atingiram a rede elétrica entre a noite de domingo (18) e a madrugada de segunda-feira, forçando apagões programados e restrições de fornecimento a indústrias e empresas em diversas regiões do país. De acordo com a Deutsche Welle (DW), moradores e autoridades locais temem que novos danos à rede comprometam os sistemas de aquecimento às vésperas do inverno no hemisfério norte.
Apagões, mísseis e drones
Zelensky afirmou que a Rússia disparou 16 mísseis balísticos contra a região de Kiev e mais de 200 drones durante a noite, e disse não ter recebido alerta prévio dos parceiros ocidentais sobre o lançamento dos mísseis. O presidente ucraniano também afirmou que uma interrupção de cerca de três dias no compartilhamento de inteligência por parte dos Estados Unidos havia enfraquecido a defesa aérea do país, e agradeceu pela retomada da cooperação.
Disputa sobre o Starlink
Zelensky acusou a rede de satélites Starlink, da SpaceX, de ter reduzido a velocidade do serviço usado pelas forças ucranianas, sugerindo se tratar de uma decisão política de Washington. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou a acusação como irresponsável e disse que nem Trump nem o secretário de Estado, Marco Rubio, ordenaram qualquer restrição. Rubio, em visita ao Uzbequistão, negou qualquer suspensão no compartilhamento de inteligência e disse que o foco deveria ser encerrar a guerra. Já o empresário Elon Musk, controlador da SpaceX, afirmou que eventuais limites de uso do serviço são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente americano.
Trump, por sua vez, disse ter feito um acordo com a Rússia para garantir exportações de combustíveis em troca de alívio de sanções, e afirmou haver "grandes progressos" nas negociações de paz. Ele também disse que Zelensky "não se importa" com o fim do conflito e que provavelmente nunca quis encerrá-lo — declaração rebatida pelo presidente ucraniano, segundo a DW.
Encontro com Putin e Xi, sem Zelensky
De acordo com a Euronews, Trump afirmou nesta terça-feira estar disposto a se reunir com Putin e Xi Jinping na China no mês que vem, possivelmente à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), marcada para 18 e 19 de novembro em Shenzhen. Segundo o americano, o encontro teria como foco principal a desnuclearização, mas poderia também tratar da guerra na Ucrânia. Trump minimizou o papel de Kiev no tema, dizendo que a Rússia "tem estado relativamente tranquila" a respeito, mas garantiu que fará "tudo o que puder para acabar com a guerra".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que a possibilidade de um encontro foi mencionada, mas disse que não há propostas ou acordos concretos sobre data ou agenda. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse não ter informações sobre um eventual encontro. Já o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, reagiu com indignação, avaliando que uma reunião trilateral sem a presença de Kiev apenas incentivaria Putin a prolongar a guerra. O governo russo, por sua vez, mantém a posição de que não negociará diretamente com Zelensky, cuja legitimidade para assinar um eventual acordo Putin questiona publicamente.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de data, local ou agenda para um possível encontro entre os três líderes, e nenhuma das partes confirmou se a Ucrânia seria incluída nas conversas.
Fontes consultadas
O Povo / Deutsche Welle (DW); Euronews.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
