O Comitê Norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira (9) que a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito em Oslo, na Noruega.
Segundo o comitê, Pillay foi laureada por seus esforços para promover a paz e o direito internacional. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que a jurista "com coragem e integridade excepcionais liderou o caminho rumo a uma ordem jurídica global mais abrangente" e que ela "foi fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados".
Da defesa de Mandela à ONU
Pillay iniciou a carreira defendendo Nelson Mandela e outros opositores do regime do apartheid na África do Sul. Ao longo de décadas, atuou como juíza em tribunais internacionais e ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mais recentemente, presidiu a Comissão de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que, em relatório divulgado em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza — uma conclusão da comissão da ONU que o governo israelense rejeita e classifica como infundada.
O prêmio deste ano soma 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1,07 milhão de euros, valor elevado pela Fundação Nobel em celebração ao 125º aniversário da premiação. Segundo a diretora-executiva da fundação, Hanna Stjärne, "ao aumentar o valor do prêmio, mantemos o significado de longo prazo do Nobel". A cerimônia de entrega ocorre tradicionalmente em 10 de dezembro, em Oslo.
Disputa concorrida
O Comitê Norueguês recebeu 287 indicações para a edição de 2026, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o premiê canadense Mark Carney, e organizações como a Estação Espacial Internacional. Desde 1901, o Nobel da Paz já foi concedido a 112 pessoas e 28 instituições; em 2025, a láurea foi para a opositora venezuelana María Corina Machado.
O anúncio ocorre em meio a debates internacionais em curso sobre o conflito em Gaza e sobre as negociações entre Rússia e Ucrânia — temas que devem ganhar nova repercussão à luz da trajetória da laureada, embora o comitê não tenha vinculado a escolha a nenhum desses processos específicos em sua declaração oficial.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas: Euronews, SBS News, Comitê Norueguês do Nobel.
