A Coreia do Norte lançou, na madrugada de sábado (4), um míssil balístico de alcance intermediário (IRBM) a partir da cidade costeira de Wonsan, no leste do país. O lançamento foi confirmado pelos governos da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos, que monitoraram a trajetória do artefato sobre o Mar do Japão (Mar do Leste, na denominação coreana). Pyongyang classificou o teste como "estratégico", termo que o regime costuma usar para sinalizar capacidade de transporte de ogiva nuclear.
Segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, o míssil percorreu mais de 700 km antes de cair no mar. O Ministério da Defesa do Japão, por sua vez, estimou a distância em cerca de 680 km. A Coreia do Norte utilizou essa diferença entre as medições para questionar publicamente a precisão do rastreamento feito pelos dois países aliados dos EUA. De acordo com Tóquio, o míssil caiu fora da Zona Econômica Exclusiva japonesa, sem registro de danos.
Alegações de Kim Yo Jong não foram confirmadas de forma independente
A vice-diretora do Departamento Central do Partido dos Trabalhadores, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, supervisionou pessoalmente o teste, segundo a mídia estatal norte-coreana. Em declaração divulgada pelo regime, Kim afirmou que o míssil seria capaz de "manobrar em voo para evadir defesas antimísseis" e que possuiria "capacidades não especificadas de inteligência artificial". Ela chegou a declarar que "não há como evitar este ataque".
É importante distinguir fato de alegação neste episódio: o lançamento do míssil e as distâncias percorridas foram corroborados de forma independente por Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. Já as afirmações sobre capacidade de manobra evasiva e sobre o uso de inteligência artificial partem exclusivamente de declarações do próprio regime norte-coreano, sem confirmação de agências de inteligência ou especialistas militares independentes até o momento.
EUA minimizam ameaça imediata; teste ocorre após incidente na fronteira
O Comando do Pacífico dos Estados Unidos (INDOPACOM) declarou que o lançamento "não representa ameaça imediata" a militares, território ou aliados americanos na região, mantendo a avaliação de rotina que costuma acompanhar testes balísticos norte-coreanos.
O teste de sábado ocorre num momento de tensão elevada na península coreana. Em 21 de setembro, explosões de minas terrestres na zona fronteiriça entre as duas Coreias feriram três soldados sul-coreanos. Uma inspeção conduzida com participação das Nações Unidas atribuiu o incidente à Coreia do Norte, acusação que Pyongyang nega. Desde então, a Coreia do Sul tem cobrado um pedido de desculpas do regime norte-coreano, demanda rejeitada pelos vizinhos do norte.
Fontes consultadas: Euronews (euronews.com), France24 (france24.com) e Korea Times (koreatimes.co.kr).
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
