Com cerca de 89,8% das cédulas apuradas na eleição legislativa israelense, o bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu soma 53 das 120 cadeiras do Knesset (Parlamento de Israel), oito abaixo do necessário para formar governo com maioria própria. Segundo dados do Comitê Central Eleitoral (CEC) de Israel, divulgados nesta quarta-feira (28/10), o bloco opositor liderado pelo general da reserva Gadi Eisenkot tem 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes israelenses — Lista Conjunta e Ra'am — somam, juntos, 19 cadeiras, o maior número já obtido por legendas árabes no país.
Netanyahu permanece interino
Enquanto a apuração não é concluída, Netanyahu continua como primeiro-ministro interino. O resultado oficial e definitivo da eleição está previsto para ser divulgado em 4 de novembro, depois da contagem de votos em envelope duplo — modalidade usada por eleitores em situações especiais, como militares, diplomatas e pessoas com deficiência, que ainda não haviam sido totalmente apurados, segundo o Comitê Central Eleitoral.
Negociação de coalizão em aberto
Sem maioria absoluta garantida a nenhum dos dois principais blocos, a formação do próximo governo israelense depende de negociações com partidos menores e, possivelmente, com as legendas árabes, que historicamente ficaram fora de coalizões de governo em Israel. O deputado Yousef Jabareen, da Lista Conjunta, classificou o atual governo como responsável por um período de violência no conflito com os palestinos — uma declaração política do parlamentar, e não um fato apurado de forma independente por esta reportagem.
Do lado governista, nomes como o ex-chefe da defesa Avigdor Liberman já fizeram parte de negociações de coalizão em eleições anteriores em Israel. O presidente israelense, Isaac Herzog, deve conduzir as consultas formais aos partidos eleitos depois da divulgação do resultado oficial, conforme o rito previsto na legislação eleitoral do país.
Acusação de fraude não confirmada
Ao menos um veículo internacional mencionou alegações do partido Likud, de Netanyahu, sobre suposta fraude nos resultados obtidos pelos partidos árabes. Até a conclusão desta reportagem, essa acusação não foi confirmada por agências de notícias independentes como AFP e Associated Press, nem pelo Comitê Central Eleitoral, e deve ser tratada como alegação da legenda, não como fato estabelecido.
Contexto
A eleição foi convocada após o fim da legislatura anterior e é a primeira votação legislativa em Israel desde o ataque de 7 de outubro de 2023. Na véspera da votação, o exército israelense havia anunciado o fechamento de acessos à Cisjordânia por motivos de segurança, e a campanha eleitoral expôs divisões internas sobre a postura do país em relação ao Irã.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas:
Arab News (AFP) — "Netanyahu falls short of majority as opposition, Arab parties win 67 seats"
The Times of Israel — "With 85% of votes counted, Netanyahu bloc has 53 seats, Eisenkot's 48, Arab parties surge to 19"
The Times of Israel — liveblog de 28 de outubro de 2026
