O bloco de partidos alinhados ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lidera a apuração dos votos da eleição legislativa israelense realizada na terça-feira (27), mas segue sem a maioria necessária para formar governo sozinho, segundo balanços divulgados na manhã desta quarta-feira (28) pela Comissão Central Eleitoral de Israel.

Com mais da metade das urnas apuradas, levantamentos feitos a partir dos boletins oficiais e citados pela agência France-Presse (AFP) indicavam o bloco pró-Netanyahu com cerca de 55 a 56 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento israelense — abaixo das 61 necessárias para governar. O bloco de oposição liderado pelo ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, do partido Yashar, aparecia com 48 a 49 cadeiras, enquanto os partidos árabes somavam entre 15 e 16 assentos, conforme a cobertura da agência retransmitida pelo jornal Gulf News e pelo site The New Arab.

A Comissão Central Eleitoral e o jornal israelense The Times of Israel, que acompanha a apuração em tempo real, registraram números parcialmente distintos ao longo da madrugada — o que é esperado em contagens parciais que avançam urna por urna. Em atualização com 32,5% dos votos contados, o bloco pró-Netanyahu aparecia com 59 cadeiras e o bloco oposicionista com 46, segundo o Times of Israel. Os votos em "envelopes duplos", que incluem os de soldados e eleitores no exterior, ainda serão somados e podem alterar o resultado final.

<h2>Referendo sobre a condução da guerra</h2>

A eleição é a primeira na qual os israelenses votam desde o ataque do grupo palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza, e é amplamente descrita por analistas e pela imprensa internacional como um referendo sobre a forma como Netanyahu conduziu o conflito e as tensões subsequentes com o Irã. O comparecimento às urnas foi recorde: segundo a AFP, cerca de 78% dos eleitores votaram, a maior participação desde 1999.

Netanyahu, de 77 anos, é o premiê de mandato mais longo na história de Israel. Em pronunciamento em Jerusalém, afirmou que o campo sionista e judaico tem uma "maioria clara e decisiva" e defendeu a formação de "um governo forte, nacional e de direita", mas evitou declarar vitória, dizendo que "ainda estamos esperando pelos resultados verdadeiros". Ele também criticou a possibilidade de uma coalizão apoiada por partidos árabes, que classificou como contrários à existência de Israel — uma caracterização rejeitada por lideranças árabe-israelenses.

Eisenkot, por sua vez, afirmou que "o público votou por mudança" e pediu que Netanyahu não utilize a segurança do país para fins políticos, segundo trechos reproduzidos pela AFP. O ex-general, que converge com Netanyahu em temas de segurança mas promete um governo mais inclusivo, descreveu o premiê como um líder interino "sem mandato".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu apoio público a Netanyahu o ajudou "muito" na eleição, segundo registrou a reportagem do The New Arab.

<h2>Próximos passos: apuração final e negociação de coalizão</h2>

A apuração completa é esperada para a noite de quinta-feira ou a manhã de sexta-feira, e o resultado oficial da eleição para a 26ª legislatura do Knesset deve ser certificado em 4 de novembro, segundo o calendário da Comissão Central Eleitoral citado pela Al Jazeera. Como nenhum dos dois blocos atingiu a maioria de 61 cadeiras até a última atualização disponível, as negociações para formar governo podem se estender por semanas.

Tanto Eisenkot quanto Netanyahu descartam publicamente formar coalizão com os partidos árabes, embora esses parlamentares possam, em tese, apoiar um governo em votações pontuais sem integrar formalmente a coalizão. Eisenkot afirmou considerar um eventual chamado a novas eleições, caso as negociações fracassem, "um erro" para o país. Até a formação de um novo governo, Netanyahu permanece como primeiro-ministro interino.

Israel enfrenta atualmente isolamento diplomático crescente por conta da guerra em Gaza, da escalada com o Irã e da expansão de assentamentos na Cisjordânia — temas que devem pautar as negociações de coalizão nas próximas semanas.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

<h3>Fontes consultadas</h3>
<ul>
<li>Gulf News (via Agence France-Presse) — https://gulfnews.com/world/mena/netanyahu-bloc-leads-after-half-of-israeli-votes-counted-but-no-majority-1.500726578</li>
<li>The Times of Israel — https://www.timesofisrael.com/liveblog-october-28-2026/</li>
<li>The New Arab — https://www.newarab.com/news/netanyahu-led-bloc-leads-over-half-vote-counted</li>
<li>Al Jazeera — https://www.aljazeera.com/news/2026/10/27/exit-polls-following-israeli-elections-indicate-no-clear-winner</li>
</ul>