A tentativa do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de conter a pressão sobre sua gestão com uma carta às 211 federações filiadas teve efeito oposto ao esperado entre dirigentes europeus. Na quarta-feira (23 de setembro), representantes das federações da Alemanha, da Holanda, da Suécia e do País de Gales afirmaram que as mudanças sugeridas não atacam o problema central, que, na visão deles, é a própria liderança da entidade.

O que diz a carta

No documento enviado na segunda-feira (21), ao qual a agência Reuters teve acesso, Infantino propõe uma análise independente de como a Fifa toma decisões e promete consultar confederações, federações e outras partes interessadas sobre o fortalecimento desses processos. O dirigente suíço também assegura que a posição de cada federação sobre temas de governança não afetará o tratamento recebido da Fifa, e que os programas de desenvolvimento e solidariedade seguirão as regras atuais.

A origem da crise

O desgaste começou com o plano de vender uma participação de 20% nas operações comerciais da Fifa, incluindo direitos ligados à Copa do Mundo. A proposta foi abandonada em julho diante da oposição das confederações continentais. A Uefa, a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf acusaram a entidade de avançar sem a devida consulta, e a Uefa chegou a declarar publicamente que havia perdido a confiança no atual presidente.

As reações

O presidente da Federação Alemã (DFB), Bernd Neuendorf, que também integra o Conselho da Fifa, foi o primeiro a reagir, na terça-feira (22). Ele classificou a carta como "uma manobra transparente para garantir sua reeleição" e disse que, embora a Fifa pareça reconhecer a necessidade de mudanças, Infantino não teria mais credibilidade para conduzi-las.

A Federação Holandesa (KNVB), uma das fundadoras da Fifa, afirmou, segundo a agência holandesa ANP, que as medidas se alinham em parte ao que vinha cobrando, mas não restauram a confiança e só surgiram por causa da pressão pública. No mês passado, a KNVB propôs uma cúpula internacional em Amsterdã para reformular a Fifa e defendeu a substituição de Infantino até 2027.

O presidente da Federação Sueca, Simon Åström, disse que a carta chega tarde e que várias das medidas já deveriam estar em vigor. Para ele, a entidade continua precisando de nova liderança. Já o diretor-executivo da Federação do País de Gales, Noel Mooney, afirmou à BBC Radio Wales que o texto trata de projetos estratégicos, e não de uma reforma da própria Fifa, e reiterou sua oposição à entrada de capital privado na Copa do Mundo.

Eleição em março

Infantino, que preside a Fifa desde 2016, disputa um novo mandato em março do próximo ano. Segundo a Reuters, fontes a par das negociações avaliam que ele ainda reúne apoio suficiente para ser reeleito, o que tem levado os críticos a concentrar esforços em limitar os poderes da presidência.

Fontes consultadas

  • Agência Brasil / Reuters — "Federações questionam promessa de reforma de Gianni Infantino na Fifa" (23/09/2026)
  • Terra / Reuters — "Carta de Infantino é manobra para reeleição, diz presidente da Federação Alemã de Futebol" (22/09/2026)
  • Portal Tela — "Carta de Infantino é manobra para reeleição, diz presidente da federação alemã" (22/09/2026)
  • Declarações da KNVB reproduzidas pela agência ANP e de Noel Mooney à BBC Radio Wales, conforme a Reuters

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.