Os dois candidatos ao segundo turno das Eleições 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), apresentam propostas distintas para o ajuste fiscal e o papel do Estado na economia, segundo levantamento publicado pela Agência Brasil em 16 de outubro. As divergências aparecem em um momento em que a dívida pública bruta do país chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, de acordo com dados oficiais citados na reportagem.

Lula defende continuidade do arcabouço fiscal

De acordo com a apuração, a campanha de Lula defende a manutenção do arcabouço fiscal vigente, com controle do crescimento das despesas públicas e busca de melhores resultados fiscais por meio do crescimento econômico, e não apenas de cortes. O candidato à reeleição também defende aprofundar a tributação progressiva, para que as rendas mais altas contribuam proporcionalmente mais, além de manter a valorização real do salário mínimo, o programa Bolsa Família e a expansão de políticas habitacionais e de combate à fome.

Flávio Bolsonaro propõe nova regra fiscal e Estado menor

Já a campanha de Flávio Bolsonaro propõe uma nova regra fiscal que limitaria as despesas públicas de acordo com a trajetória da dívida. Em agosto, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, mencionou um ajuste da ordem de 1,5% do PIB, equivalente a cerca de R$ 190 bilhões com base no PIB de 2025. A proposta inclui redução da estrutura estatal, com menos ministérios e cargos comissionados, além de corte de impostos e encargos sobre empresas.

Segundo a reportagem, a equipe de Flávio afirma que pretende manter programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular, e o candidato nega que pretenda extingui-los. No entanto, o detalhamento de quais despesas seriam cortadas para viabilizar a redução de tributos e seus efeitos sobre os serviços públicos ainda não foi esclarecido pela campanha, aponta a Agência Brasil.

Ponto em comum e principal diferença

As duas campanhas reconhecem a necessidade de conter o crescimento da dívida pública. A diferença está nos instrumentos escolhidos: Lula aponta para investimentos públicos e maior arrecadação sobre as rendas mais altas, enquanto Flávio aposta na redução do tamanho do Estado e dos tributos sobre empresas.

Fontes consultadas

Agência Brasil, "Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado", reportagem de Wellton Máximo (16/10/2026).

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.