A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve, na segunda-feira (26/10), o primeiro pregão após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e registrou a maior queda diária desde 1998. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acionou o circuit breaker — mecanismo que suspende temporariamente as negociações diante de quedas abruptas — às 9h57, após recuar mais de 10% logo na abertura.
Segundo dados da B3, as negociações ficaram suspensas por 30 minutos. Ao longo do dia, o índice chegou a cair cerca de 17% em relação ao fechamento anterior, antes de recuperar parte das perdas. O Ibovespa encerrou o pregão em 176.608,23 pontos, com queda de 13,88% (-28.474,33 pontos) e volume financeiro de R$ 76,9 bilhões, segundo a B3. No acumulado do mês, o índice recua 5,22%, mas ainda acumula alta de 9,61% no ano.
<h2>Dólar chega a R$ 5,60 e risco-país sobe 26%</h2>
O dólar comercial fechou a segunda-feira em R$ 5,403, alta de 8,21% frente ao fechamento anterior, após chegar à máxima intradiária de R$ 5,605. O risco-país, medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos, subiu 26% no dia, para 151,6 pontos — maior nível desde julho de 2025, segundo levantamentos de mercado.
Analistas consultados por veículos financeiros, como Sidney Lima, Leonardo Mendes e Fábio Murad, atribuíram o movimento a uma reversão abrupta de apostas do mercado, que precificava a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, cuja candidatura prometia um ajuste fiscal mais rígido. Com a confirmação da reeleição de Lula, parte dos investidores reposicionou suas carteiras, segundo essas análises — interpretação que reflete a leitura de agentes de mercado, não um consenso unânime sobre as causas da queda.
<h2>Governo anuncia mudanças na meta fiscal e Tesouro intervém</h2>
Em resposta à volatilidade, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende alterar, ainda este ano, a legislação ou a Constituição para mudar o centro da meta fiscal. O Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos públicos prefixados programados para o dia e recomprou aproximadamente R$ 7,1 bilhões em papéis, em movimento para conter a pressão sobre os preços dos títulos.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou a queda das ações da estatal como um "movimento especulativo", segundo declaração à imprensa.
No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a eleição brasileira "pareceu" fraudulenta, sem apresentar provas que sustentassem a afirmação, e posteriormente declarou gostar de Lula — declarações que devem ser lidas como posicionamento pessoal do mandatário americano, não como constatação factual. Governos de França, Alemanha, Rússia e China, por sua vez, reconheceram formalmente o resultado da eleição brasileira.
<h2>Fontes consultadas</h2>
InfoMoney; O Tempo; Forbes Brasil; Seu Dinheiro.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
