O governo federal ampliou, na sexta-feira (9), os subsídios aplicados aos preços da gasolina, do etanol e do diesel, zerando os tributos federais que incidem sobre a gasolina. O anúncio, feito pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, veio horas depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, acima do esperado pelo mercado e levando a inflação em 12 meses a 4,58% — acima do teto da meta de inflação.

O que muda no preço dos combustíveis

Segundo o anúncio oficial, o subsídio à gasolina passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, com a zeragem das alíquotas federais de PIS/Cofins e Cide. Para o etanol, o desconto de R$ 0,19 por litro foi mantido e o subsídio ao produtor subiu de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. Já o diesel importado passou a contar com uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, somada ao benefício já existente de R$ 2,12 por litro. A medida vale por 30 dias, com revisão mensal.

O instrumento legal é a Medida Provisória 1.395, publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro, que abre um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões — R$ 6,17 bilhões destinados ao diesel rodoviário e R$ 1,35 bilhão a outros derivados.

Fontes divergem sobre o custo total da medida

Há divergência entre veículos econômicos sobre o custo fiscal adicional do pacote. Segundo a revista Forbes Brasil, o custo extra seria de R$ 2,7 bilhões, descrito pelo governo como "fiscalmente neutro" em razão da alta recente do petróleo, que eleva a arrecadação com royalties e participações especiais. Já o Jornal do Comércio e o portal Mercado&Consumo, citando Agência Brasil, apontam custo de R$ 5,2 bilhões em 30 dias, dos quais R$ 3,6 bilhões apenas com gasolina e etanol ao longo de 2026. O Ministério do Planejamento e Orçamento não detalhou publicamente, até a conclusão desta reportagem, qual dos números corresponde ao impacto fiscal total certificado pela equipe econômica.

IPCA de setembro foi o maior em cinco anos para o mês

O IBGE informou que a alta de 0,82% do IPCA em setembro foi puxada principalmente pelo fim de um desconto temporário na conta de energia relacionado à Itaipu Binacional, que havia levado agosto à deflação de 0,32%. Segundo o instituto, foi a maior variação registrada para um mês de setembro em cinco anos — a anterior havia sido 1,16%, em 2021.

Contexto: petróleo mais caro pressiona a bomba

O cenário internacional também pesa sobre os preços domésticos: o barril do petróleo tipo Brent fechou a semana perto de US$ 104, ante cerca de US$ 70 antes da escalada de tensões no Oriente Médio. Segundo o ministro Bruno Moretti, a medida existe "para que a gente possa reavaliar as condições" mês a mês, e o governo "não vai deixar de cumprir sua responsabilidade pública por conta do calendário eleitoral" — referência às eleições presidenciais, cujo segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ocorre em 25 de outubro. Já o ministro Dario Durigan afirmou que o governo usará parte da receita extra obtida com a alta do petróleo para proteger a população do encarecimento dos combustíveis.

Fontes consultadas

Forbes Brasil, "Governo amplia subsídios a combustíveis" (09/10/2026); Jornal do Comércio, "Governo zera imposto federal da gasolina e renova subsídio do etanol" (09/10/2026); Mercado&Consumo, "Tributos da gasolina são zerados e subsídios a combustíveis ampliados" (09/10/2026); Jornal do Comércio/Agências, "IPCA sobe mais do que o esperado em setembro" (09/10/2026), com dados do IBGE.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.