Antes mesmo de o pregão regular da B3 abrir nesta segunda-feira (5/10), o mercado financeiro já sinalizava otimismo com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, apurado na noite de domingo (4/10). O termômetro mais concreto veio de Nova York: o EWZ (iShares MSCI Brazil), maior fundo de índice (ETF) focado em ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, avançou 10,29% em operações no mercado estendido na noite de domingo, saindo dos US$ 38,19 de sexta-feira (2/10) para US$ 42,12 às 21h31 (horário de Nova York). Já no início da manhã desta segunda, por volta das 5h52 (horário de Brasília), gestores consultados por agências de notícias trabalhavam com projeções de alta de até 7% para o Ibovespa e queda de até 6% para o dólar — números que, até a conclusão desta reportagem, ainda eram estimativas de mercado, e não resultado fechado do pregão de hoje.
O que já é fato confirmado: fechamento de sexta e disparada do ETF em Nova York
O último número oficial e consolidado do Ibovespa até a publicação desta reportagem seguia sendo o fechamento de sexta-feira (2/10), última sessão antes da eleição: alta de 2,63%, a 192.114,55 pontos, com o dólar praticamente estável, em R$ 5,22. Esses foram os patamares de referência usados pelo mercado ao longo do fim de semana para dimensionar o tamanho do movimento esperado para a reabertura dos negócios.
O outro dado concreto e já consumado é o salto do EWZ. O fundo — administrado pela BlackRock sob a marca iShares, com cerca de US$ 9 bilhões sob gestão e que replica o índice MSCI Brazil 25/50, tendo Vale, Nubank, Itaú Unibanco e Petrobras entre suas maiores posições — negociou em alta de dois dígitos percentuais horas depois da apuração do primeiro turno, em uma plataforma de negociação overnight (Blue Ocean/BOATS, ativa das 20h às 4h, horário de Nova York). Por ter liquidez mais baixa fora do pregão regular, esse movimento funciona como indicador antecipado do apetite de investidores internacionais por ativos brasileiros, mas não se traduz necessariamente, ponto a ponto, no desempenho que o Ibovespa ou o dólar terão de fato na B3.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT) — a menor diferença entre primeiro e segundo colocados já registrada em um primeiro turno no país, segundo apuração consolidada. Os dois avançam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O que ainda é projeção: gestores apostam em alta da Bolsa e real mais forte
Com base nesse resultado, e ainda antes da abertura do pregão, gestores de diferentes casas vinham divulgando projeções para a sessão desta segunda-feira. Segundo levantamento da Bloomberg Línea publicado às 5h52 de hoje, Fabrício Taschetto, da Ace Capital, projetava queda de 3% do dólar e alta de 7% do Ibovespa; a mediana das estimativas da XP apontava para um Ibovespa 6% mais alto e um dólar cerca de 4% mais fraco; e o JPMorgan trabalhava com uma queda de até 6% da moeda americana. Felipe Arslan, da Morada Capital, apostava que ações de varejo e construção civil liderariam a alta. Cathy Hepworth, da gestora americana PGIM, afirmou esperar que "o real e os juros tenham desempenho muito bom". Guilherme Abbud, da Persevera Asset Management, disse que "o terreno nunca esteve tão fértil", enquanto Paulo Abreu, da Mantaro Capital, descreveu a expectativa de "um dia muito melhor do que esperavam". Já Alejandro Cuadrado, do banco espanhol BBVA, previa uma "reavaliação significativa" das perspectivas para os ativos brasileiros.
Em uma cotação indicativa colhida ainda de madrugada, antes da abertura oficial do câmbio, o dólar era negociado a R$ 5,2123 (-0,09%) — variação pequena frente ao fechamento de sexta, o que reforça que o grosso do movimento projetado pelos gestores ainda dependia da abertura efetiva dos negócios, mais tarde nesta segunda-feira. Separadamente, Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, projetava o Ibovespa superando a marca inédita dos 200 mil pontos, com a taxa de juros futura DI para janeiro de 2031 recuando a 13,5%; Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest, chegou a falar em disparada de até 10% da Bolsa paulista.
Bancos já tinham cenários de câmbio prontos antes da votação
Dias antes da eleição, bancos de investimento global haviam divulgado simulações de câmbio para os diferentes desfechos possíveis nas urnas. Segundo projeções compiladas pela imprensa de mercado, Goldman Sachs, Wells Fargo e JPMorgan trabalhavam com o dólar na faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 em um cenário considerado mais favorável pelos investidores, ante uma estimativa geral próxima de R$ 5,80 no cenário alternativo. O Goldman Sachs também apontava um prêmio de cerca de 80 pontos-base entre os vértices de 2 e 10 anos da curva de juros futuros (DI) — distorção que, segundo o banco, tenderia a diminuir caso o resultado eleitoral reduzisse a percepção de risco fiscal entre os investidores.
Nota sobre os dados: até a conclusão desta reportagem, na manhã desta segunda-feira (5/10), a B3 ainda não havia divulgado abertura ou fechamento oficial do pregão do dia, e o câmbio à vista ainda não tinha cotação de fechamento consolidada. Os números de Ibovespa e dólar citados acima como "projeção" refletem exclusivamente estimativas de gestores e cotações indicativas pré-abertura, atribuídas nominalmente às fontes citadas — não resultado consumado da sessão.
Fontes consultadas
- Bloomberg Línea — Liderança de Flávio no primeiro turno abre espaço para rali do mercado, dizem gestores — 5/10/2026
- InfoMoney — Flávio à frente de Lula domina mercado, com PMI e Focus na agenda — 5/10/2026
- SBT News — Fundo que replica bolsa brasileira nos EUA dispara 10% — 5/10/2026
- Seu Dinheiro — Ibovespa a 200 mil pontos? Flávio Bolsonaro à frente anima mercado — 4-5/10/2026
- Money Times — Eleição pode virar o jogo do dólar — outubro/2026
- Times Brasil — Ibovespa dispara 2,63% e fecha acima de 192 mil pontos antes das eleições — 2/10/2026
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
