O dólar comercial fechou o pregão de quinta-feira (15) cotado a R$ 5,08, alta de 1,15% frente ao dia anterior — o maior valor da moeda americana desde o início de outubro. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,06%, aos 204.324 pontos, com giro financeiro em torno de R$ 27 bilhões. Apesar do recuo do dia, o Ibovespa acumula alta de cerca de 9,6% no mês e de 26,8% no ano, refletindo um ciclo de valorização mais amplo da bolsa brasileira em 2026.
O que pressionou o mercado
O movimento do câmbio e da bolsa ocorreu no mesmo dia em que o plenário do Senado aprovou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, por 75 votos a 1 — decisão já noticiada pelo Brasil de Hoje. A transição prevista no texto estabelece jornada de 42 horas e escala 5x2 em até 60 dias após a promulgação, chegando a 40 horas semanais em até 14 meses. Segundo o economista Lucas Xavier, da gestora AW Capital, a medida "tende a aumentar os custos de mão de obra das empresas", com risco de repasse a preços — avaliação que coincidiu com a alta dos juros futuros no mesmo pregão: o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu a 12,92% ao ano, e o papel com vencimento em 2035 foi a 12,835% ao ano, ambos com alta de 22 pontos-base.Cenário externo
Lá fora, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou cerca de 0,5%, e as bolsas americanas fecharam o dia em alta — movimento que, segundo analistas de mercado, tornou a pressão sobre o real ainda mais associada a fatores internos do que ao cenário internacional. No mercado de petróleo, o contrato WTI fechou em alta de 3,03%, a US$ 97,97 o barril, após dados mostrarem queda maior que a esperada nos estoques americanos; o Brent recuou lavemente, a US$ 105,92.Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
