O mercado financeiro reduziu as projeções para a inflação, o crescimento da economia e o câmbio em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (26/10). A pesquisa, no entanto, foi coletada antes da forte reação do dólar observada durante a apuração do 2º turno da eleição presidencial, quando a moeda chegou a R$ 5,60 na máxima do pregão — bem acima da projeção registrada no levantamento.
O que mudou nas projeções
De acordo com o Banco Central, a mediana das estimativas para o IPCA (índice oficial de inflação) em 2026 caiu de 5,22% para 5,19%; a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,83% para 1,80%; e a expectativa para o dólar no fim do ano baixou de R$ 5,13 para R$ 5,05. A Selic, taxa básica de juros, permaneceu estável em 13,25% ao fim de 2026 nas projeções dos economistas consultados.
Mesmo com a redução, a inflação projetada continua 0,69 ponto percentual acima do teto da meta oficial, de 4,50% ao ano, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2027, o boletim mostra expectativa de nova queda da Selic, de 12% para 11,75%, e câmbio projetado em R$ 5,15.
Por que a leitura exige cautela
O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com projeções de instituições financeiras e consultorias, e sua coleta de dados é encerrada normalmente na sexta-feira anterior à divulgação — neste caso, antes da proclamação do resultado do 2º turno, no domingo (25/10), e da volatilidade observada no mercado financeiro na segunda-feira seguinte. Por isso, os números de câmbio do boletim não refletem o movimento mais recente da moeda americana, que operou bem acima dos R$ 5,05 projetados pelos economistas na própria semana de divulgação.
Essa defasagem é uma característica normal do boletim, usado pelo mercado e pelo próprio Banco Central como referência para decisões de política monetária, mas que pode ficar temporariamente desatualizado em semanas de forte volatilidade, como a desta eleição.
Contexto
O resultado do Boletim Focus desta semana chega dias depois de o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, ter acionado circuit breaker e registrado sua maior queda diária desde 1998 durante a apuração do 2º turno, com o dólar ultrapassando a marca de R$ 5,40 no mesmo período. Além disso, o IPCA-15 de outubro, indicador oficial do IBGE, havia desacelerado para 0,32% no mês, embora os preços de alimentos continuem pressionando o índice acima do teto da meta.
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
Fontes consultadas:
Investidor Institucional — "Focus reduz IPCA, PIB e câmbio de 2026, mas Selic fica estável"
SouBrasília — "Focus mostra IPCA de 2026 em 5,19%, coletado antes de o dólar ir a R$ 5,60"
MoneyTimes — "Economistas cortam inflação e Selic em novas projeções; veja o Focus desta segunda-feira (26)"
SpaceMoney — "Boletim Focus: IPCA 2026, Selic 13,25%"
