O Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com projeções de instituições financeiras, passou a prever a Selic em 12,13% ao ano ao final de 2026, acima da estimativa de 12% divulgada na semana anterior. Para o fim de 2027, a projeção permanece em 10,5% ao ano.

Juros e inflação

A expectativa de inflação medida pelo IPCA segue estável, em 3,91% para o fim de 2026, enquanto a projeção para 2027 subiu levemente, de 3,79% para 3,80%. A meta oficial de inflação do Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A pesquisa também revisou a projeção para o dólar, que passou a ser estimado em R$ 5,41 ao final de 2026, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de R$ 5,42.

Segundo o Banco Central, a revisão das projeções ocorre em meio à disparada do preço do petróleo e ao agravamento da guerra no Oriente Médio, fatores que pressionam o cenário inflacionário global.

Bolsa fecha setembro em alta

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,37% no último pregão de setembro, fechando aos 186.340 pontos — a melhor sessão diária desde 10 de setembro. No mês, o índice acumulou alta de 5,03% e, no terceiro trimestre, avançou 8,3%. Ainda assim, o indicador está cerca de 6,2% abaixo de sua máxima das últimas 52 semanas, de 198.657 pontos.

De acordo com o Rio Times, o principal gatilho da alta foi um dado de inflação mais fraco que o esperado nos Estados Unidos: o núcleo do índice de preços PCE subiu 3,0% em 12 meses até agosto, abaixo da previsão de 3,3%, reduzindo temores de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Ações do setor bancário lideraram os ganhos: Itaú Unibanco e Banco do Brasil subiram 4,7% cada, e o Bradesco avançou 4,1%, com o Itaú registrando o maior volume de negociação do pregão, de R$ 3,27 bilhões.

Riscos no radar

O cenário fiscal segue como ponto de atenção: o setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, e a dívida bruta do governo geral subiu para 82,9% do PIB, o maior patamar desde 2021. O segundo turno das eleições presidenciais, agendado para 25 de outubro, também é citado por analistas de mercado como fator de cautela para câmbio e bolsa nas próximas semanas.

Fontes consultadas: Banco Central do Brasil (Boletim Focus); Rio Times Online.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.