O thriller psicológico "Verity", dirigido por Michael Showalter e estrelado por Anne Hathaway e Dakota Johnson, estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 2 de outubro (no Brasil, a partir de 1º de outubro) com uma arrecadação mundial estimada em US$ 62,5 milhões no primeiro fim de semana, segundo balanço divulgado pela revista norte-americana Variety e replicado por veículos brasileiros como o CinePOP. O resultado faz da produção a segunda maior estreia global entre as adaptações da escritora best-seller Colleen Hoover, atrás apenas de "It Ends with Us" (2024), que abriu com US$ 50 milhões somente no mercado doméstico.

Produzido pela Amazon MGM Studios para o mercado norte-americano e distribuído internacionalmente pela Sony Pictures, "Verity" teve orçamento estimado em US$ 40 milhões — valor já recuperado no fim de semana de estreia. Nos Estados Unidos e Canadá, o filme faturou entre US$ 32,6 milhões e US$ 33,6 milhões, conforme diferentes apurações de bilheteria publicadas entre 3 e 5 de outubro; no mercado internacional, a arrecadação ficou na faixa de US$ 23,6 milhões a US$ 30 milhões, a depender da fonte e do estágio da apuração (estimativas de sexta-feira versus fechamento de fim de semana).

Da página para a tela: a nova "febre Hoover"

Baseado no romance de suspense psicológico que Colleen Hoover publicou originalmente em 2018, "Verity" acompanha uma escritora em dificuldades financeiras (vivida por Dakota Johnson) contratada para concluir os volumes finais de uma série best-seller após a autora original, Verity Crawford (Anne Hathaway), ficar paralisada em um misterioso acidente de carro. Ao trabalhar na casa da família, a protagonista encontra um manuscrito oculto com revelações perturbadoras sobre o passado da escritora e o marido dela, Jeremy, interpretado por Josh Hartnett.

O filme chega aos cinemas dois anos depois de "It Ends with Us" transformar Hoover na autora mais adaptada de Hollywood no período, consolidando um ciclo de produções baseadas em seus romances que inclui ainda "Ugly Love" e "Never Never". Para a indústria do audiovisual, o desempenho de "Verity" reforça a aposta dos estúdios no público leitor de romances contemporâneos como força de bilheteria, um fenômeno impulsionado nos últimos anos por comunidades de leitura em redes sociais.

Bilheteria forte, crítica dividida

Apesar do resultado comercial, "Verity" registrou a pior recepção crítica entre as adaptações de Hoover até agora: 33% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes e nota C- entre o público consultado pelo CinemaScore — índice inferior ao A- obtido por "It Ends with Us" e ao B registrado por "Ugly Love" e "Never Never". Parte da crítica especializada apontou o tom instável do roteiro, assinado por Nick Antosca com reescritas de Hilary Seitz e Angela LaManna, como o principal ponto fraco da produção.

A dissonância entre bilheteria e avaliação crítica não é inédita no gênero: a imprensa internacional lembrou o caso de "Cinquenta Tons de Cinza" (2015), que recebeu nota C+ do público e, mesmo assim, se tornou um fenômeno de bilheteria global. O precedente sugere que a base de fãs da literatura romântica e de suspense segue sendo um motor comercial independente da resposta da crítica especializada.

Repercussão no Brasil

No circuito brasileiro, "Verity" estreou em 1º de outubro, um dia antes da data americana, classificado como não recomendado para menores de 16 anos, com 114 minutos de duração. O lançamento simultâneo em mercados internacionais — citado pela imprensa do setor como parte de uma estratégia da Sony Pictures para antecipar a repercussão de redes sociais sobre o enredo — ajuda a explicar a proximidade entre as datas de estreia local e americana, incomum para produções desse porte.

Fontes consultadas

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.