A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (15), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustível no Rio de Janeiro para lavar mais de R$ 7,6 bilhões, direcionar contratos públicos e cooptar agentes do poder público. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e contou com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As buscas ocorreram em municípios da capital e da região metropolitana do Rio — incluindo Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Segundo a Polícia Federal, a Justiça também determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas ao grupo, das quais 96 são postos de combustível.

Como a PF descreve o esquema

De acordo com a investigação, a organização usava a rede de postos como fachada para movimentar recursos de origem ilícita, além de atuar no direcionamento de contratos públicos e na cooptação de agentes do poder público para facilitar suas operações. O caso é acompanhado pelo STF em razão do envolvimento de um parlamentar entre os investigados. Entre os presos está um deputado estadual do Rio de Janeiro, que também já ocupou cargo de prefeito em um município da Baixada Fluminense, apontado pela PF como responsável pela articulação política do grupo. O Brasil de Hoje optou por não identificar nominalmente os investigados nesta fase do inquérito, já que, até o momento, não há condenação e a apuração ainda está em curso. Não foram localizadas, até a publicação desta reportagem, manifestações públicas da defesa dos investigados.

Contexto: combustíveis como alvo recorrente de fraudes

O setor de distribuição de combustíveis tem sido alvo frequente de operações de combate à sonegação fiscal e à lavagem de dinheiro no Brasil nos últimos anos, diante de esquemas identificados por órgãos como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que usam postos como fachada para "esquentar" recursos de origem ilícita. A operação desta quinta-feira se soma a uma série de ações recentes da Polícia Federal contra a infiltração do crime organizado em atividades econômicas lícitas.

Próximos passos

Os investigados presos preventivamente devem permanecer à disposição da Justiça enquanto prossegue a apuração, que inclui a análise do material apreendido nos endereços alvo dos mandados de busca. A Polícia Federal não divulgou prazo para a conclusão do inquérito.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

Poder360 — "Rede de postos era usada para lavar dinheiro no Rio, diz PF" e "Deputado estadual exercia 'função estratégica' em esquema de R$ 7,6 bi, diz PF" (15/10/2026); CNN Brasil — reportagem sobre a prisão de um deputado estadual do Rio de Janeiro na operação (15/10/2026).