A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens da Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos, empresa responsável pelo helicóptero que caiu na Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca, em 8 de agosto de 2026. A decisão, tomada pela 26ª Vara Federal na quinta-feira, 15 de outubro, atende parcialmente a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).

O acidente matou o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas de uma mesma família: a avó Rocio Cubillos, a filha Wendy Manrique e a neta Sofia Murillo, de 17 anos. Elas faziam um passeio panorâmico contratado comercialmente quando a aeronave caiu.

Incêndio na mata atlântica

Segundo o MPF, o impacto provocou uma explosão seguida de um incêndio na mata atlântica da zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca. Levantamentos periciais citados pelo órgão indicam que o fogo atingiu árvores de mais de cinco metros de altura.

Falhas de segurança apontadas pela Anac

Uma inspeção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na operadora identificou falhas no gerenciamento de segurança, incluindo um sistema de gestão de segurança inoperante, problemas no controle de fadiga da tripulação, ausência de plaquetas de identificação do fabricante em componentes e inconsistências nos registros de manutenção. Com base nesse relatório, a Anac suspendeu provisoriamente o certificado da empresa e impediu o voo de outras seis aeronaves da frota.

O que decidiu a Justiça

Além do bloqueio de bens — que inclui contas bancárias, investimentos, imóveis, veículos e participações societárias —, a 26ª Vara Federal determinou que a empresa e seu administrador único apresentem, em até 30 dias, um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad) para a região atingida pelo fogo.

Segundo o MPF, a responsabilidade ambiental é objetiva, ou seja, não depende de prova de culpa, e alegações de força maior em geral não afastam essa responsabilidade. O pedido de indenização por danos ambientais ainda será julgado em fase posterior do processo. A ação civil pública não abrange os direitos individuais das vítimas ou de seus herdeiros, já que o MPF não tem legitimidade para representá-los nessa frente — eventuais processos individuais podem ser movidos pelas famílias em ações separadas.

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da empresa, de seu administrador ou de representantes legais sobre a decisão judicial.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

Agência Brasil — "Justiça bloqueia bens de empresa por queda de helicóptero, no Rio" (19/10/2026)