O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou cerca de R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais no Amazonas, após uma sequência de operações de fiscalização realizadas nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea. Segundo o órgão, foram realizadas 19 ações de fiscalização em sete dias, que resultaram em 17 autuações e 12 embargos, somando cerca de 252 hectares de área interditada.

Fumaça suspende aulas e piora qualidade do ar

A fumaça densa provocada pelos incêndios atingiu Manaus, levando à suspensão das aulas presenciais nas redes municipal e estadual de ensino, além da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A Defesa Civil local recomendou à população o uso de máscaras do tipo PFF2 ou N95. De acordo com o monitoramento da plataforma internacional IQAir, Manaus registrou, por diversos dias, a pior qualidade do ar entre todas as capitais brasileiras.

Focos de queimada mais que dobram em relação a 2025

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Amazonas registrou 1.921 focos de queimada entre 1º e 19 de outubro deste ano, e 8.178 desde o início de 2026 — mais que o dobro dos 3.918 focos contabilizados no mesmo período de 2025. O aumento nos focos de calor é um indicador distinto da taxa de desmatamento, que, segundo dados do próprio Inpe divulgados anteriormente, recuou ao menor nível da série histórica no período mais recente.

Ibama vai remeter autuações ao Ministério Público

O Ibama informou que vai remeter as autuações ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que poderá abrir ações penais contra responsáveis identificados nas investigações. Há suspeita, ainda não confirmada e sob apuração das autoridades, de que parte dos incêndios tenha sido ação orquestrada por produtores rurais da região — por não haver, até o momento, identificação ou condenação de responsáveis, esta reportagem não nomeia nenhum suspeito.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

Fontes consultadas

Ibama; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); O Liberal; DGABC.