Uma auditoria conduzida pela nova diretoria da Cedae Saúde, fundo que administra a assistência médica de cerca de 17 mil beneficiários — entre empregados ativos, dependentes, aposentados e pensionistas ligados à Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), no Rio de Janeiro — identificou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões em pagamentos e contratos firmados entre dezembro de 2023 e abril de 2026. O levantamento foi divulgado nesta semana pelo governo fluminense.
Segundo a Agência Brasil, a apuração começou depois que o comando anterior da entidade foi afastado, em junho de 2026. Criada em 1988, a Cedae Saúde opera como uma caixa de assistência para a categoria.
Registros apagados e pagamentos recuperados
De acordo com o governo do Rio, a nova diretoria constatou que registros de fornecedores e lançamentos contábeis referentes ao período entre dezembro de 2023 e abril de 2026 haviam sido apagados dos sistemas da entidade. Auditores conseguiram recuperar parte dessas informações, que indicam pagamentos irregulares por serviços e favorecimento a empresas associadas à administração anterior.
O levantamento aponta que quatro empresas pertencentes a uma sociedade offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, ligada ao ex-presidente da entidade, receberam R$ 95 milhões durante a gestão dele. As transferências mensais feitas pela diretoria financeira da época somavam, em média, R$ 20 milhões — valor que a atual administração considera muito superior ao necessário. Hoje, segundo o governo estadual, essas transferências giram em torno de R$ 6 milhões por mês, uma queda de 70%.
Caso vai ao Ministério Público
O relatório da auditoria será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para aprofundar a investigação e eventuais medidas judiciais. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do ex-dirigente da Cedae Saúde ou de sua defesa sobre as conclusões da auditoria. Não há, até o momento, condenação ou acusação formal relacionada aos fatos apurados — os achados são classificados pelo próprio governo estadual como indícios, sujeitos a apuração complementar pelo Ministério Público.
Fontes consultadas
Agência Brasil (Empresa Brasil de Comunicação – EBC).
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
