A seca que atinge o Amazonas se agravou nas últimas semanas: segundo boletim da Defesa Civil estadual divulgado em 2 de outubro de 2026, o número de municípios em situação de emergência por estiagem subiu para 22, enquanto outros 18 estão em estado de alerta e 13 em atenção. Entre os municípios mais afetados estão Coari, Tefé, Manacapuru, Careiro e Carauari, localidades historicamente dependentes dos rios para transporte, abastecimento e subsistência.

De acordo com a Defesa Civil, 167 kits de purificação de água já foram distribuídos a famílias ribeirinhas que enfrentam dificuldade de acesso a água potável por causa da vazante. A medida busca conter riscos sanitários em comunidades isoladas pela seca dos rios.

Decreto estadual projeta até 648 mil pessoas afetadas

A situação já havia levado o governo do Amazonas a decretar emergência em todo o estado em 21 de setembro de 2026, com validade de 180 dias. O decreto estima que até 648 mil pessoas podem ser afetadas em 62 municípios amazonenses ao longo da estiagem. As autoridades atribuem a intensidade do fenômeno ao retorno do El Niño, padrão climático que historicamente reduz o volume de chuvas na região amazônica e agrava os períodos de seca dos rios.

Rio Negro perde mais de 5 metros em um mês

O monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) mostra a rapidez da vazante em Manaus: somente em setembro de 2026, o nível do Rio Negro caiu 5,21 metros, encerrando o mês em 18,88 metros, medição registrada em 30 de setembro. A trajetória de queda acompanhada pelo órgão indica que outubro deve ser o mês mais crítico, com o rio podendo oscilar entre 12,31 metros e 16,50 metros no pico da vazante.

Caso essa projeção se confirme, 2026 deve se consolidar como a terceira pior seca da série histórica do Rio Negro em Manaus, atrás apenas dos eventos extremos registrados em 2023 e 2024, anos que já haviam deixado marcas na navegação, no abastecimento e na economia de comunidades ribeirinhas da região.

Impacto na rotina das comunidades ribeirinhas

Com rios mais rasos, embarcações menores enfrentam dificuldade para circular em trechos antes navegáveis, o que compromete o transporte de alimentos, combustível e insumos médicos para comunidades isoladas. A distribuição de kits de purificação de água pela Defesa Civil é uma das respostas emergenciais enquanto o poder público monitora a evolução do nível dos rios ao longo de outubro, mês apontado como o de maior criticidade para a bacia amazonense neste ciclo de estiagem.

Fontes consultadas

Gazeta da Amazônia (02/10/2026); Portal do Amazonas (01/10/2026); Portal Amazônia.

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.